SEGUNDA, 20/07/2026, 17:58

Santa Casa de Londrina "sobrevive" mais um dia após intervenção judicial.

 Atendimentos não foram interrompidos, mas falta de insumos e medicamentos ainda preocupa. Secretaria Estadual de Saúde acompanha o caso para evitar desassistência.

A Santa Casa de Londrina, sob intervenção judicial desde a última sexta-feira (17), continua de portas abertas atendendo a população. Procurada pela CBN nesta segunda-feira (20), a assessoria de imprensa da instituição informou apenas que o atendimento segue sendo prestado normalmente tanto na Santa Casa como no Hospital Infantil. Em relação às ações a serem executadas pela nova gestão para a aquisição de insumos e medicamentos, nada foi informado. O pronto-socorro só não fechou na última sexta em razão do envio de material por parte dos hospitais Universitário (HU) e Evangélico e da própria Secretaria Municipal de Saúde. Os lotes já estariam no fim. O interventor do hospital, Reilly Aranda Lopes, também foi procurado, mas não houve retorno.

Na última sexta, em coletiva à imprensa, ele reconheceu que a situação é bastante grave e disse que entraria em contato com o principal convênio de plano de saúde do hospital para pedir o adiantamento do repasse de recursos. O novo interventor também se comprometeu a conversar com os fornecedores da unidade com o objetivo de reforçar as parcerias e renegociar dívidas.

A unidade é alvo de uma investigação do Ministério Público desde 2023, quando o processo foi aberto para investigar a diretoria da instituição. Entre os problemas constatados estão atrasos no pagamento de médicos e fornecedores, ausência de especialistas, falhas sanitárias, elevado endividamento e descumprimento de obrigações relacionadas ao atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Toda a diretoria foi afastada. A intervenção tem prazo mínimo de 180 dias.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde disse que acompanha de perto a situação do hospital. A autarquia citou informações da Coordenação da Central de Leitos da Macro Norte, que não constatou interrupções no atendimento ou desabastecimento até o momento. Toda a programação e as assistências da unidade seguem ocorrendo normalmente, conforme a Sesa.

A secretaria destacou, ainda, que a Central de Regulação atua de forma dinâmica e em tempo real, e que "para garantir que não ocorra desassistência, o remanejamento de cirurgias e leitos é realizado com base na prioridade clínica, especialmente em casos de urgência e emergência". Se houver necessidade pontual de suporte especializado que não esteja disponível na região de origem, ainda conforme a nota, o sistema permite redirecionar os pacientes imediatamente para outros hospitais prestadores dentro do estado ou viabilizar o atendimento domiciliar.

Por Guilherme Batista

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