SEXTA, 21/10/2016, 19:52

Promotor chama de “criminosas” ocupações de colégios em Londrina e bate boca com estudantes

Em audiência nessa sexta-feira (21), Marcelo Briso disse ainda que os alunos seriam “menos valiosos” do que adolescentes em conflito com a lei.

Dezenas de estudantes que participam de ocupações de escolas em Londrina promoveram uma audiência pública na Câmara de Vereadores nessa sexta-feira (21) para debater o movimento. A reunião foi marcada por um bate-boca entre alunos e o promotor de justiça da Infância e Juventude, Marcelo Briso, que falou que os militantes seriam “menos valiosos” do que os adolescentes em conflito com a lei atendidos por ele.

Em entrevista minutos depois da confusão, o promotor prometeu processar pessoas que, segundo ele, o chamaram de “fascista”. Ele também alegou que foi ao encontro para apelar que as unidades ocupadas retomem suas atividades.

Emocionada, a conselheira municipal dos direitos da criança e do adolescente, Clarice Junges, defendeu os manifestantes e recriminou Marcelo Briso por não continuar no encontro para discutir o tema. Ela disse que, apesar de o movimento sofrer críticas, quem se opõe a ele não participou do debate.

Por outro lado, de acordo com o promotor Marcelo Briso, pais e estudantes contrários às ocupações que foram chamados para a audiência não seriam aceitos pelos demais. Ele ainda classificou de “criminosa” a atitude dos alunos em assumir as escolas.

Já a integrante da ocupação no Colégio Estadual Nilo Peçanha, a estudante Layne Veras, rebateu a fala do promotor e o convidou para visitar a unidade.

Mãe de uma aluna que participa de uma ocupação, a assistente social Tatiane Monteiro defendeu o movimento e declarou que ele não é influenciado por partidos políticos. Para ela, os alunos estão conscientes sobre suas reivindicações.

Até o começo da noite dessa sexta, a página no Facebook do movimento Ocupa Londrina afirmava que 32 escolas da cidade estavam ocupadas. Já no estado, o movimento Ocupa Paraná dava conta de que eram mais de mil ocupações.

Enquanto cresce o número de colégios ocupados, o Ministério da Educação já informou que as unidades que continuarem nessa condição até o dia 31 deste mês não irão receber as provas do Exame Nacional do Ensino Médio, sendo que os candidatos alocados nelas teriam de fazer o Enem em datas posteriores aos dias 5 e 6 de novembro.

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