SEGUNDA, 03/08/2026, 17:13

Pai de jovem morto em ação da Guarda Municipal nega que filho estivesse armado em Londrina

Em depoimento à polícia, motorista afirma que adolescente teve crise de epilepsia durante a abordagem e diz que não viu o momento dos disparos

O motorista preso após a perseguição que terminou com a morte do próprio filho, no centro de Londrina, apresentou sua versão sobre o caso ao delegado responsável pelas investigações. Em depoimento à Polícia Civil, o homem negou que o adolescente de 15 anos estivesse armado quando foi atingido pelos agentes da Guarda Municipal. Segundo o pai, o jovem não segurava nenhum revólver no momento da abordagem e, na verdade, teria sofrido uma crise de epilepsia dentro do carro enquanto os guardas se aproximavam.

Durante o interrogatório, o condutor admitiu que fez um disparo de arma de fogo para o alto após uma discussão familiar, pouco antes de tentar fugir. Ele afirmou que essa arma caiu dentro da picape durante o percurso e declarou que não viu os tiros disparados pelos guardas contra o veículo ou em direção ao seu filho.

O caso foi registrado na noite da última sexta-feira (31), quando a Guarda Municipal tentou parar o veículo após denúncias de disparos em frente a um comércio. O motorista ignorou a ordem, fugiu em alta velocidade, bateu em outros carros e atropelou um motociclista até colidir contra um poste. Na versão inicial da corporação, o passageiro teria apontado uma arma para a equipe, o que motivou a reação dos agentes.
Por meio de sua advogada, a mãe do jovem morto afirmou que busca apenas esclarecer as circunstâncias da morte do filho. Ela confirmou que o garoto tratava a epilepsia há 10 anos e ressaltou que, no dia do ocorrido, ele sofreu seis crises convulsivas.

A Polícia Civil segue investigando o caso para confrontar o depoimento do pai com os laudos periciais e o relato dos guardas envolvidos, que foram temporariamente afastados para acompanhamento psicológico. A Corregedoria da Guarda Municipal também abriu um procedimento interno para apurar a conduta dos agentes na ação.

Por João Gabriel Rodrigues

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