Ministério Público diz que acusado foi "dissimulado" para atrair e matar jovem em academia
Denúncia pede que ele seja condenado por tentativa de estupro e feminicídio qualificado. Defesa alega que havia uma terceira pessoa no local do crime
No mesmo dia em que a Delegacia da Mulher concluiu o inquérito relacionado ao feminicídio da jovem Thaíssa Marques, de 21 anos, registrado em uma academia na zona leste de Londrina no último dia 11, o Ministério Público (MP) apresentou denúncia contra o principal suspeito do crime. Gabriel de Andrade, também de 21 anos, foi denunciado pelos crimes de feminicídio e tentativa de estupro. A denúncia foi oferecida pela 14ª Promotoria de Justiça nessa segunda-feira (21).
De acordo com o que foi apurado, no dia do crime, Andrade dissimulou "o interesse em conhecer as instalações da academia" com o objetivo de atrair Thaíssa para o interior do estabelecimento. Ainda conforme a denúncia, o acusado usou uma faca e uma corda para ameaçar a vítima e tentar estuprá-la. A jovem conseguiu se soltar e correr para o estacionamento do local, mas foi alcançada pelo denunciado, que a atingiu com 46 golpes de faca.
Na denúncia, a promotoria lista qualificadoras para o aumento da pena do feminicídio. São elas: emprego de meio cruel, considerando a multiplicidade de golpes desferidos, a dissimulação e o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele foi preso em flagrante no dia do crime e segue detido, à disposição da Justiça.
A defesa do acusado emitiu uma nota "pedindo que todas as informações sejam investigadas e que as conclusões sejam construídas com base nas provas e não na repercussão do caso". No comunicado, os advogados alegam que havia uma terceira pessoal no local do crime e que essa informação, confirmada "em depoimento testemunhal", precisa ser considerada.
A defesa também cita "o diagnóstico de condição neurodivergente do acusado, documentado e reconhecido inclusive no âmbito da Justiça Federal", e diz que essa condição de saúde "precisa ser considerada na análise da pessoa, de sua comunicação e do contexto em que as declarações foram obtidas". Por fim, os advogados afirmam que aguardam a confecção dos laudos periciais relacionados ao crime, principalmente os que dizem respeito ao "ato de cunho sexual".