Mais de 20 mil pessoas estão à espera de uma cirurgia em Londrina
Audiência pública debateu problemas na saúde municipal. Secretário admitiu falhas, mas disse que situação não é de calamidade
Com as galerias vazias e pouca participação da comunidade, a audiência pública convocada pela Comissão de Seguridade Social da Câmara Municipal obteve destaque com as falas de representantes do setor, que puderam falar em plenário. O promotor Paulo Tavares, por exemplo, apresentou um diagnóstico desanimador. Somente em 2017, o Ministério Público protocolou mais de 928 procedimentos, sendo que 518 foram resolvidos. Desse número, 26% terminaram sendo cumpridos por via judicial, enquanto o restante parou no âmbito administrativo.
Para Tavares, a judicialização das cobranças feitas à Prefeitura de Londrina é uma das formas mais eficazes de sanar as reclamações dos usuários. No entanto, o promotor reconheceu que os processos, até suas conclusões, tendem a ser morosos. No final do encontro, ele propôs a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta, o TAC, com o Município.
Alguns médicos da rede municipal compareceram ao Legislativo e denunciaram más condições de trabalho. A médica Débora de Campos, que atua na unidade básica do Conjunto Maria Cecília, na zona norte, relatou que os assaltos na região são constantes. Há cerca de dois meses, uma servidora teve a bolsa roubada depois de encerrar o expediente.
Campos ressaltou que a estrutura do posto também deixa a deseja. Ela já precisou levar o próprio computador porque a unidade não dispõe do mesmo aparelho.
Um relatório da Comissão de Seguridade apontou que mais de 20 mil pessoas esperam por uma cirurgia. Outras 100 mil aguardam consultas com especialistas. Na semana passada, uma comissão formada por vereadores, integrantes do MP e do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná, o Sindmed, percorreu vários postos de saúde da cidade, conforme o presidente do órgão, Alberto Toshio Oba.
Durante as visitas, a comissão identificou a falta de pelo menos sete tipos de medicamentos no Centro de Atenção Psicossocial, o Caps. O assunto levou o promotor Paulo Tavares a pedir providências em até 24 horas da Secretaria de Saúde.
Na audiência pública, o secretário responsável pela pasta, Felippe Machado, garantiu que a ausência dos remédios de uso contínuo será sanada ainda nesta semana.
Apesar de reconhecer as deficiências, Machado afirmou que, para atender as reivindicações tidas como prioritárias, é necessário levar a disponibilidade de recursos do Executivo. Ele rebateu as críticas de que a situação da saúde em Londrina é calamitosa.