Londrina amplia uso do "mosquito do bem" contra a dengue
Com casos da doença 70% menores que no ano passado, município planeja levar tecnologia inovadora para novos bairros e reforçar o controle do Aedes aegypti
A guerra contra a dengue, zika e chikungunya vai ganhar um reforço importante em Londrina nos próximos meses. A cidade vai ampliar a soltura de mosquitos Aedes aegypti carregando a bactéria Wolbachia em bairros que ainda não contam com essa proteção. O gerente de Vigilância Ambiental, Nino Ribas, ressalta que o objetivo é simples: usar a própria natureza para diminuir a quantidade de vírus circulando e proteger a saúde dos moradores.
Para organizar essa nova etapa, a equipe de saúde da prefeitura se reuniu nesta terça-feira (19) com especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da empresa responsável por criar e espalhar esses insetos especiais. Hoje, o método já protege cerca de 60% da cidade e agora chegará a novas áreas.
Apesar da novidade, os cuidados básicos dentro de casa continuam sendo fundamentais. O gerente de Vigilância Ambiental, Nino Ribas, lembra que a nova tecnologia funciona melhor quando a população continua eliminando os focos de água parada. Ele destaca que Londrina saiu na frente no combate à doença ao combinar os mosquitos com a bactéria a outras inovações, como o uso de armadilhas inteligentes e o mapeamento dos casos feito em parceria com as universidades. Todo esse esforço em conjunto já está dando bons resultados: neste ano, o número de pessoas que pegaram dengue na cidade caiu 70% na comparação com o mesmo período de 2025.
Para entender como a tecnologia funciona, basta olhar para a natureza. A bactéria Wolbachia é muito comum e já vive no corpo de insetos como borboletas, libélulas e moscas. Cientistas descobriram que, ao colocar essa mesma bactéria dentro do mosquito da dengue, ela age como uma espécie de "escudo". Na prática, a Wolbachia impede que os vírus da dengue, da zika, da chikungunya e da febre amarela consigam se desenvolver e se multiplicar dentro do mosquito, cortando a transmissão das doenças para os seres humanos.