Inquérito sobre morte de jovem na zona norte entra na reta final com análise de câmeras e laudos
Delegado do caso explica que todas as provas colhidas no prazo legal de 10 dias servirão para embasar a denúncia do Ministério Público
A Polícia Civil de Londrina segue investigando o acidente que provocou a morte do motociclista Gustavo Gabriel Oliveira Lupo, de 23 anos, na madrugada de sábado (1º), na Avenida Henrique Mansano. O foco da investigação agora é esclarecer com precisão a dinâmica da colisão e reunir elementos que possam confirmar as circunstâncias do acidente.
Em entrevista, o delegado responsável pelo caso, Jayme José de Souza Filho, explicou que o inquérito foi encaminhado à Delegacia de Acidentes de Trânsito na segunda-feira (3) após a prisão em flagrante do motorista envolvido no caso, Leonardo Fernandes da Silva, de 25 anos. Segundo o delegado, ele foi autuado por homicídio culposo com a agravante de dirigir sob efeito de álcool, já que o teste do bafômetro apontou índice acima do permitido por lei. Por se tratar de um crime sem possibilidade de fiança na esfera policial, o motorista permaneceu preso inicialmente, mas depois foi colocado em liberdade por decisão da Justiça, mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
Jayme informou que a Polícia Civil iniciou uma série de diligências para esclarecer os fatos. A primeira pessoa ouvida foi a passageira do Santana. No entanto, segundo o delegado, ela disse que estava utilizando o celular no momento da colisão e não conseguiu fornecer detalhes relevantes sobre o acidente. O motorista também afirmou que não se recorda exatamente do que aconteceu. Ele relatou apenas que viu motocicletas realizando manobras perigosas na avenida pouco antes da batida.
Um dos principais avanços da investigação foi a identificação do verdadeiro condutor da motocicleta. Inicialmente, a informação era de que a vítima fatal estaria pilotando o veículo. Porém, durante o andamento do inquérito, a Polícia confirmou que Gustavo estava na garupa e que o motociclista sobreviveu ao acidente. O homem prestou depoimento e admitiu que era o condutor da moto. Ele também confirmou que não possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e declarou ter ingerido bebida alcoólica antes de dirigir. Como deixou o local após receber atendimento médico, ele não foi submetido ao teste do bafômetro no dia do acidente.
De acordo com o delegado, familiares do motociclista e a mãe da vítima também foram ouvidos para complementar a investigação.
Sobre as imagens de câmeras de segurança, Jayme explicou que os vídeos analisados até agora mostram que a motocicleta envolvida na colisão não estava empinando no momento do impacto, diferentemente da versão apresentada pelo motorista do Santana. No entanto, ele ressalta que outras gravações registraram motociclistas realizando esse tipo de manobra na mesma avenida minutos antes do acidente, sem que seja possível afirmar que uma delas era a moto envolvida na batida.
A Polícia Civil também aguarda a realização de uma perícia técnica para determinar a velocidade do carro no momento da colisão. Segundo o delegado, novas imagens estão sendo procuradas e os laudos da Polícia Científica serão importantes para esclarecer todos os detalhes do caso.
Embora o Ministério Público (MPPR) já tenha oferecido denúncia contra o motorista, Jayme destacou que o inquérito policial continua em andamento. Segundo ele, novas provas poderão ser encaminhadas à Justiça e ao próprio Ministério Público, que poderá solicitar diligências complementares ou até alterar o enquadramento jurídico, caso os elementos da investigação indiquem essa necessidade.