Justiça manda Guarda Municipal preservar imagens das câmeras corporais dos agentes após abordagem com morte de adolescente
De acordo com decisão, material será importante para a apuração do caso e a elucidação de fatos que estão sendo questionados por familiares do menor
A 4ª Vara Criminal de Londrina, na figura da juíza substituta Chélida Roberta Soterroni Heitzmann, determinou que a prefeitura crie mecanismos para preservar as imagens das câmeras corporais da Guarda Municipal. A decisão atende a um pedido da defesa de Volmir Dias, investigado no inquérito relacionado à abordagem da GM que terminou na morte do adolescente Murilo Dias, de 15 anos, no centro da cidade, na última sexta-feira (31). Volmir é pai do menor que foi baleado e morto pelas equipes depois de uma perseguição.
A defesa do investigado apresentou embargos de declaração depois de a Justiça “se omitir” em relação a um pedido do Ministério Público (MP) a favor da preservação das imagens. Os advogados sustentaram a importância do armazenamento dos “registros audiovisuais” feitos durante a ocorrência para a apuração do caso. O argumento foi acatado pela juíza, que apontou que “as filmagens poderão contribuir tanto para os fatos em apuração neste caderno investigado como em outro que venha ser inaugurado para desnudar o falecimento de Murilo Dias”.
No ofício enviado à Guarda, a magistrada reforça que o material seja armazenado e dá cinco dias para que a corporação apresente justificativas caso haja impossibilidade para o cumprimento da determinação.
A decisão considera a possibilidade de a investigação requerer as imagens para elucidar as versões apresentadas pelas partes. O pai de Murilo, que começou a ser perseguido após, supostamente, atirar para o alto em uma pizzaria na Vila Recreio, disse, em depoimento, que o filho não estava armado no momento da abordagem da Guarda. Ele e a defesa da família alegam que o adolescente sofria de epilepsia e que ele teve uma crise no momento da confusão. Já a Guarda afirma que precisou reagir depois de o menor usar a arma do pai para confrontar as equipes.
A prefeitura ainda não se manifestou em relação à determinação da Justiça sobre a preservação das imagens das câmeras corporais. De acordo com apuração da reportagem, apenas um dos agentes envolvidos na abordagem da última sexta-feira contava com o aparelho na farda. O guarda que teria atirado contra o adolescente estaria sem a câmera.
O uso do monitoramento em tempo real também é alvo de um procedimento do Ministério Público, que, no mês passado, chegou a enviar um ofício à prefeitura pedindo que fossem criadas formas para ampliar o número de câmeras. Atualmente, a Guarda contaria com apenas 24 aparelhos, mas apenas 14 estariam funcionando.