TERCA, 09/07/2019, 19:34

Gaeco prende família responsável por esquema que tentou fraudar licitação dos uniformes em Londrina

Investigação foi iniciada após Ministério Público ser avisado pela Secretaria Municipal de Gestão Pública do esquema. Grupo atuava em três estados e chegou a assinar contratos em outras cidades.

A Operação Cartas Marcadas foi deflagrada nesta terça-feira em cidades do Paraná, Mato Grosso e Santa Catarina. A investigação, feita pelo Gaeco e pelo Gepatria aqui de Londrina, além da Promotoria de Justiça de Telêmaco Borba, prendeu cinco pessoas de uma mesma família na cidade de Indaial, em Santa Catarina. O chefe do grupo, de acordo com o Gaeco, era Angelo Sequinel Filho, um dos presos nesta terça-feira. Também faziam parte do esquema, o filho dele, Angelo Sequinel Neto, Elânia Lima Sequinel, esposa de Ângelo, e o cunhado dele, André Luiz Marques, que teria entregado todo o grupo para a Polícia e o Gaeco.

A investigação descobriu crimes de fraude em licitações, falsidade ideológica e uso de documentos falsos. Segundo o Ministério Público, a quadrilha teria aberto empresas de fachada para participar de processos licitatórios. Elas concorriam entre si e, ao final, pelo menos uma delas acabava vencendo a licitação. Até agora, foram identificadas dezessete cidades em que a organização criminosa participou de concorrências. No total, onze pessoas e dez empresas são investigadas.

Segundo o promotor Renato de Lima Castro, um dos responsáveis pela Operação Cartas Marcadas, as fraudes seriam pouco elaboradas e contavam com a falta de capacidade técnica de boa parte das prefeituras. Os cinco presos teriam participado de dezenas de licitações em cidades de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul e chegaram a assinar nove contratos.

Todos os mandados da Operação Cartas Marcadas foram expedidos pela Justiça de Telêmaco Borba. As buscas ocorreram em Indaial e Joinville, em Santa Catarina, Campo Mourão e Maringá, aqui no Paraná, e em Várzea Grande, no Mato Grosso.  A Justiça também suspendeu dez contratos firmados pelo grupo e proibiu as empresas de participarem de novas licitações.

O promotor diz que ainda é cedo para ter uma ideia do tamanho das fraudes e dos prejuízos causados pelo grupo aos cofres públicos. Renato de Lima Castro afirma que a investigação quer saber agora se há envolvimento de gestores públicos nos crimes praticados pela quadrilha.

As investigações tiveram início em dezembro do ano passado, depois que funcionários da Secretaria de Gestão Pública de Londrina visitaram a cidade de Indaial, para checar as instalações de três empresas que estavam participando de uma licitação para o fornecimento de uniformes escolares para os alunos da Rede Municipal. O promotor elogiou a atuação da Secretaria e da Prefeitura de Londrina no caso.

Segundo Renato de Lima Castro, a investigação vai avançar agora na avaliação dos materiais apreendidos e definir se existe a necessidade de manutenção das prisões dos cincos envolvidos. A operação Cartas Marcadas é um trabalho conjunto do Ministério Público do Paraná e de Santa Catarina.

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