SEXTA, 24/04/2026, 17:08

Família procura corpo de parente após túmulo desaparecer em cemitério de Arapongas

Lote comprado em 2022 foi ocupado por outra sepultura; prefeitura abriu investigação urgente para localizar restos mortais e apurar responsabilidades

Uma família de Arapongas vive um drama que mistura luto e indignação. Ao visitarem o cemitério municipal para cuidar do jazigo de um parente, os familiares descobriram que o túmulo havia desaparecido. No lote que deveria abrigar o corpo de José Gonçalves Mendes, falecido aos 92 anos em 2022, foi construída uma nova sepultura onde agora repousam outras duas pessoas.

De acordo com o advogado da família, Mauro Martins, o lote foi adquirido legalmente por R$ 2.100 logo após o falecimento do idoso. A surpresa ocorreu apenas dois meses depois do sepultamento, quando a família retornou ao local para realizar a manutenção da lápide e não a encontrou mais. No espaço, havia um túmulo com o nome de uma pessoa falecida no ano 2000 e, recentemente, em 2025, um segundo corpo foi enterrado no mesmo ponto.

Sem respostas da administração do cemitério após diversas tentativas de contato, os parentes recorreram à Justiça e ao Ministério Público. Além da dor emocional, a defesa busca uma ação judicial para obrigar o município a identificar o paradeiro dos restos mortais. Caso o corpo não seja localizado, a família deve exigir indenizações por danos morais e materiais.

O prefeito de Arapongas, Rafael Cita, afirmou que tomou conhecimento oficial do caso e determinou a abertura de um procedimento administrativo com máxima urgência. O chefe do Executivo pediu desculpas à família e garantiu que todos os envolvidos, desde os responsáveis pelo sepultamento até os que autorizaram a nova construção, serão ouvidos para que uma solução definitiva seja apresentada.

A investigação também deve apurar se houve crimes de violação de sepultura e subtração ou ocultação de cadáver, previstos no Código Penal. Há suspeitas de que o problema não seja isolado, uma vez que surgiram relatos de outras irregularidades semelhantes no mesmo cemitério.

Por João Gabriel Rodrigues

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