Após pente-fino constatar prejuízo de pelo menos 34 milhões de reais, prefeitura prepara cobrança de responsáveis por obras irregulares em Londrina
Segundo levantamento, em oito anos mais de 3.600 construções deixaram de recolher ISS no município. Mais do que cobrar, município quer regularizar a situação destes loteamentos, que são dados como vazios, mas abrigam casas e até comércios.
A Prefeitura de Londrina pretende começar a enviar na próxima semana cartas de cobrança aos responsáveis por mais de 3.600 construções que estariam irregulares na cidade. Segundo pente-fino da Secretaria Municipal de Fazenda, são obras que chegaram a obter o alvará necessário na Secretaria de Obras, mas, depois disso, não deram mais as caras. Ou seja, não comunicaram a conclusão e o pior: deixaram de recolher pelo menos 34 milhões de reais em ISS junto ao município.
Segundo o secretário municipal de Fazenda, João Carlos Peres, tudo indica que os responsáveis pelas construções, que ocupam mais de um milhão e meio de metros quadrados, ou deixaram de tocar os projetos pra frente ou, apesar de concluí-los, não procuraram a prefeitura para retirar o Habite-se e regularizar a situação. Em alguns dos casos, um trabalho de amostragem aponta que os lotes, atualmente dados como vazios, abrigam casas e até comércios, como mercados, por exemplo.
De acordo com ele, quem receber a cobrança vai ter a possibilidade de prestar contas e pagar o débito atrasado.
A prefeitura também trabalha em ações para evitar com que a falta de cobrança aconteça novamente. A grande falha, na avaliação do secretário, foi a ausência de interação entre secretarias de Obras e de Fazenda, que pode começar a melhorar com adequações no sistema informatizado da prefeitura. Peres admite que o número de fiscais é muito pequeno para acompanhar todos os mais de 230 mil imóveis e terrenos do município, mas garante que o investimento em tecnologia será suficiente para fechar o cerco contra os irregulares.
O município também vai encaminhar a situação à Corregedoria e à Controladoria-Geral, que vão ficar responsáveis por verificar se, nestes oito anos, algum contribuinte ou empresa específicos foram favorecidos. A possibilidade de fraude, possivelmente executado por servidores, não está descartada.