Secretário de Saúde não acredita em segunda onda da Covid-19 no estado
Sanitarista e ex-secretário de Saúde de Londrina, afirma que agravamento da situação é reflexo de flexibilização exagerada e que para evitar um possível lockdown comportamento da população precisa mudar.
Na nota técnica, divulgada no início da semana passada, o grupo de pesquisadores brasileiros afirmou que o país já vivia o "início de uma 2ª onda". E os números mostram isso em boa parte dos estados, de acordo com os cientistas. Sete dias depois, a curva da doença segue em ascensão e a onda parece ter se consolidado.
De maneira geral os pesquisadores apontaram três fatores para o aumento de casos, que eles chamaram de "explosivo": uma continuidade na alta circulação do vírus, a falta de testagem e do rastreamento de casos e a ausência de uma "política central coordenada, clara e eficaz de enfrentamento".
Já o secretário Estadual de Saúde, Beto Preto, afirmou em entrevista à CBN Londrina na última sexta-feira que o Paraná nem chegou a sair da primeira onda e passa, na verdade, por um recrudescimento dela.
Opinião compartilhada pelo médico sanitarista e professor da PUC, Gilberto Martins. Para o ex-secretário de Saúde de Londrina, o que há é um aumento expressivo e muito perigoso do número de casos, resultado de uma flexibilização exagerada e de um esgotamento da população, que acabou baixando a guarda e o vírus voltou a avançar rápido.
O médico sanitarista diz ainda que num momento como o atual é fundamental que se monitore com olhar atento, o número de novos casos e a mortalidade por 100 mil habitantes, além da ocupação das UTIs, para que se tenha um retrato fiel da evolução do cenário da doença.
Perguntado sobre o risco de iniciarmos o verão com os casos aumentando de forma rápida, Gilberto Martins se mostrou bastante preocupado e afirmou ainda que em função desse cenário perigoso, um lockdown para frear o avanço da doença seria importante, mas vê dificuldades para conseguir se fazer isso.
O médico sanitarista disse ainda que para evitar um possível lockdown o comportamento da população precisa mudar e fez um apelo para que as pessoas mantenham o distanciamento e só saiam de casa se for realmente necessário.