TERCA, 09/08/2016, 20:17

Sala do diretor-geral do Instituto de Criminalística tinha pedidos de perícia ainda lacrados e inquéritos originais de mais de 20 anos

O material será analisado em detalhes pelo Ministério Público, mas promotor de justiça vê indícios de irregularidades no caso. Já Daniel Felipetto alega que perícias atrasaram por falta de pessoal no órgão.

O Ministério Público Estadual fez nessa terça-feira um balanço parcial dos itens apreendidos na última semana em uma sala do Instituto de Criminalística em Londrina que pertence ao diretor-geral do órgão no estado, Daniel Felipetto. Entre o material recolhido, há dois inquéritos policiais originais. Um deles aberto em 1992 e cuja última movimentação foi em 2000. O segundo foi iniciado em 2006. Além disso, há uma série de objetos que foram alvo de pedidos de perícia, mas que permaneciam lacrados. A promotora de justiça Claudia Piovezan disse que ficou surpreendida com o fato de os inquéritos continuarem no órgão por tanto tempo.

O caso também passou a ser tratado pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Para o promotor Renato de Lima Castro, se houver comprovação de que perícias foram engavetadas por Felipetto, o diretor-geral do órgão pode ter cometido uma série de ilegalidades contra a administração pública.

Já o advogado de Daniel Felipetto, André Cunha, apontou que os dois inquéritos encontrados pelo MP ainda não passaram por uma apuração mais detalhada. O defensor voltou a declarar que o cliente está tranquilo em relação à investigação.

A secretaria de Segurança Pública, por sua vez, alegou que Felipetto precisaria ter acesso aos inquéritos para saber o motivo do atraso. Conforme a Sesp, o diretor-geral argumentou que possíveis atrasos em perícias ocorreram por falta de servidores na Criminalística. Além das suspeitas a respeito de perícias engavetadas, o promotor Renato de Lima Castro também irá apurar denúncia de que Daniel Felipetto teria utilizado a estrutura do instituto em Londrina para atendimentos particulares.

Por outro lado, de acordo com a pasta de Segurança Pública, o diretor-geral declarou que não procede a informação de que ele teria feito atendimentos particulares no Instituto de Criminalística. Felipetto ainda se colocou à disposição dos promotores. Por enquanto, não há data marcada para que ele seja ouvido.

Já a gravação em que Felipetto fala que perícias eram guardadas em um depósito para não comprometer figuras do alto escalão da política do Paraná foi recebida pelo Ministério Público nesta semana e ainda será analisada. Para o advogado do diretor, no entanto, o áudio é apenas uma reclamação do cliente sobre trabalhos acumulados.

Segundo a promotora Claudia Piovezan, o material apreendido na sala de Felipetto será avaliado por amostragem. Ela preferiu não estabelecer um prazo para que o trabalho termine.

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