Polícia Militar aposta no diálogo para pacificar conflito em fazenda de Tamarana
Após madrugada de tensão e risco de confronto, forças de segurança e Funai estabelecem canal de comunicação com lideranças indígenas para manter a ordem pública
Uma intervenção estratégica baseada na mediação e no monitoramento técnico evitou o agravamento de um conflito fundiário na zona rural de Tamarana nesta quinta-feira (5). Após uma madrugada de tensão envolvendo cerca de 80 indígenas da aldeia Apucaraninha e seguranças particulares em uma propriedade rural, o 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) confirmou que a situação caminha para a estabilidade por meio do diálogo direto com as lideranças do grupo.
O episódio teve início quando os indígenas ocuparam a sede da fazenda, local que já é objeto de disputa judicial e abriga duas residências, uma delas utilizada como escola pela comunidade. O cenário inicial foi de hostilidade, com relatos de arremesso de pedras e disparos de arma de fogo. Diante do risco elevado, a Polícia Militar optou por não realizar uma incursão imediata durante a madrugada, priorizando a integridade física de todos os envolvidos, incluindo a família de um caseiro que foi retirada do local, sem ferimentos, com o auxílio de seguranças.
Para garantir a precisão da resposta operacional, o Comando Regional utilizou drones equipados com sensores térmicos, permitindo o acompanhamento da movimentação em tempo real sem expor as equipes a um confronto direto. A solução do impasse ganhou corpo com o acionamento da Polícia Federal e de representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que passaram a integrar o gabinete de crise.
No início da tarde desta quinta-feira (5), o comando da operação informou que a fase de contenção deu lugar à manutenção da paz social. O policiamento permanece na região de forma preventiva, enquanto as autoridades buscam formalizar um boletim de ocorrência detalhado junto às lideranças indígenas para compreender as motivações do incidente. A estratégia de recuo tático e negociação foi apontada como fundamental para preservar a ordem pública e garantir a segurança tanto dos moradores da propriedade quanto da comunidade indígena.