Paraná soma 88 acidentes com trens no ano e debate segurança nos trilhos
Apesar da queda no número de casos em relação a 2025, a gravidade das colisões preocupa; nova concessão da Malha Sul discute retirar ferrovias do meio das cidades
O Paraná já registrou 88 acidentes com trens apenas este ano. Embora o número seja inferior aos 102 casos anotados no mesmo período de 2025, a gravidade dessas colisões continua alarmante, resultando em mortes e grandes estragos. Um dos trechos mais perigosos do estado fica no norte paranaense, na rota entre Londrina, Apucarana e o Porto de Paranaguá. O principal motivo para o alto risco é o traçado antigo dos trilhos, que cortam áreas urbanas movimentadas.
Para tentar resolver o problema, autoridades e entidades reuniram-se nesta semana (27) em uma audiência pública para debater mudanças na concessão da Malha Sul, rede ferroviária operada pela concessionária Rumo, que atende Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Como o contrato atual termina no ano que vem, o novo leilão prevê exigências para melhorar a logística e aumentar a segurança dos moradores. Entre as propostas mais aguardadas está a criação de contornos ferroviários, obra que retiraria os trens do centro das cidades e os levaria para a zona rural, embora ainda não haja prazos definidos.
A reorganização das ferrovias é vista como fundamental para a economia local, já que o Paraná responde por 80% das cargas transportadas em toda a Malha Sul. Transportar grãos, produtos agroindustriais e contêineres de exportação por meio de trens barateia os custos da produção e reduz a quantidade de caminhões nas rodovias, o que também diminui os acidentes no trânsito.
O presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Nélson Luiz Gomez, destaca que esses gargalos precisam ser corrigidos com urgência e reforça a importância de a população e as entidades civis participarem ativamente das próximas audiências públicas para exigir melhorias no projeto final.
Enquanto os debates avançam em outros estados do Sul antes da realização do leilão, o plano de retirar os trilhos das áreas urbanas está mais adiantado na região de Curitiba. Contudo, lideranças do norte do Paraná também pressionam para que municípios como Apucarana sejam priorizados.
A expectativa é que as adequações tragam não apenas viagens mais seguras e eficientes, mas também a redução do barulho e da poluição gerados pelos trens no dia a dia das cidades.