SEGUNDA, 09/03/2026, 12:19

Ministério Público oferece denúncia contra suspeito de matar criança na Região Metropolitana de Curitiba em 2006

Homem de 55 anos foi preso em Londrina no dia 19 de fevereiro, 50 dias antes do caso prescrever. Giovanna dos Reis Costa, 9 anos, foi morta em Quatro Barras enquanto vendia rifas

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) ofereceu denúncia criminal contra Martônio Alves Batista, de 55 anos, suspeito de assassinar Giovanna dos Reis Costa, 9 anos, em 2006, na cidade de Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba.

A investigação foi reaberta pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) depois de novos testemunhos que colocam Martônio como principal suspeito. Ele foi preso no dia 19 de fevereiro em Londrina, 50 dias antes de o crime completar 20 anos e prescrever.

Giovanna desapareceu no dia 10 de abril de 2006, enquanto vendia rifas de Páscoa para a escola, perto de casa. O corpo da menina foi encontrado dois dias depois em um terreno baldio, coberto por sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. As roupas da criança foram localizadas em outro terreno próximo. A perícia confirmou a morte por asfixia mecânica, com sinais extremos de violência sexual.

Na época, alguns homens que moravam na vizinhança, incluindo Martônio, foram ouvidos pela PCPR, mas não houve pedido de prisão contra ele e a investigação seguiu com outros suspeitos. O caso foi arquivado na sequência.

Em 2019, uma ex-enteada do suspeito procurou a delegacia e relatou ter sido vítima de abusos sexuais cometidos por ele. Segundo o depoimento, os fatos ocorreram quando ela tinha entre 11 e 14 anos. A jovem disse que não revelou o que acontecia na época porque era ameaçada pelo acusado.

A denúncia veio à tona após o homem ser preso brevemente por instalar câmeras no banheiro feminino de uma pastelaria da qual era proprietário. Ao reconhecer Martônio em reportagens divulgadas naquele período, a ex-enteada decidiu contar à mãe sobre os abusos sofridos durante a infância e também procurou um advogado. Em 2025, já no andamento da investigação, a ex-enteada afirmou que Martônio a ameaçava, dizendo que ela seria “a próxima Giovanna”.

Com a reabertura do caso, a polícia ouviu ex-companheiras de Martônio. Algumas contaram que a mulher que era casada com ele em 2006, ano da morte de Giovanna, procurou algumas delas para fazer um alerta. Nessas conversas, ela disse que foi obrigada a limpar a casa para eliminar possíveis provas do crime.

O MPPR sustenta que o homicídio foi praticado por motivo torpe (desejo predatório do denunciado), para assegurar a impunidade de crime antecedente (crime sexual), com uso de meio cruel (asfixia) e recurso que dificultou a defesa da vítima (dissimulação e superioridade física do agressor).

Além da aplicação das penas previstas em lei ao denunciado, a 3ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, responsável pela denúncia, solicita que ele seja condenado ao pagamento de R$ 100 mil como reparação mínima aos familiares da vítima.

O Ministério Público também pede a manutenção da prisão do acusado e a adoção de outras medidas, entre elas o encaminhamento dos familiares para atendimento multidisciplinar nas áreas psicossocial, jurídica e de saúde, com os custos arcados pelo agressor ou, na impossibilidade, pelo Estado.

A equipe de reportagem procurou a defesa de Martônio, mas até o momento não obteve resposta.

Por Paulo Andrade

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