QUINTA, 06/08/2026, 11:09

Justiça suspende processo de morte em “racha” na Leste-Oeste em 2025

TJPR concede liminar parcial em recurso de familiares da vítima que pedem reclassificação do crime para homicídio doloso. Caso seja aprovado, acusados devem ir a Júri Popular

O Tribunal de Justiça do Paraná decidiu suspender, por enquanto, o andamento do processo que apura a morte de Ivan Uesley Francisco dos Santos, de 36 anos, vítima de um "racha" registrado em fevereiro do ano passado, na avenida Leste-Oeste, região central de Londrina. De acordo com familiares, Ivan estava retornando para casa após um dia de trabalho e havia comprado pastéis para o jantar.

Segundo a denúncia, os dois acusados disputavam uma corrida ilegal, conhecida como “racha”, quando uma caminhonete Amarok atingiu e matou a vítima. Um laudo pericial apontou que os veículos estavam correndo a pelo menos 89 km/h em trecho onde o limite é de 50 km/h. Um dos acusados também estaria embriagado, com garrafas de cerveja dentro do carro.

Depois do acidente, os dois motoristas teriam fugido sem prestar socorro. Uma testemunha confirmou à Justiça que os carros disputavam “racha” no momento da colisão.

Os réus respondem por embriaguez ao volante, fuga do local e participação em racha com resultado morte, crimes julgados por juiz singular. A família da vítima quer que a conduta seja reclassificada como homicídio doloso por dolo eventual, ou seja, quando o agente assume o risco de matar, o que levaria o caso ao Tribunal do Júri.

De acordo com o assistente de acusação, o advogado Mário Barbosa, a decisão, do desembargador Kennedy Josué Greca de Mattos, atende parcialmente a um recurso movido por parentes da vítima, contra Eduardo Nardelli de Souza e Rafael Gomes Monteiro Silva, acusados de participarem da corrida que resultou na morte de Ivan.

Na prática, caso seja entendido que deva mudar a tipificação do crime, os acusados devem ir a Júri Popular.

O pedido chegou a ser negado em primeira instância, assim como foi negada a prisão preventiva do motorista da Amarok, entendendo que ele não demonstrou intenção de fugir da Justiça. Ao analisar o recurso, o desembargador não decidiu ainda sobre a reclassificação do crime nem sobre a prisão dos réus, que seguem em liberdade.

A reportagem da CBN Londrina procurou a defesa dos acusados, que afirmou não ter recebido a decisão.

Por Paulo Andrade

Comentários