Empresas de fachada usadas em fraude de R$ 300 milhões estavam no nome de pessoas falecidas
Operações do Gaeco de Londrina desmantelaram megaorganização criminosa que se utilizava das chamadas "noteiras" para sonegar ICMS
Os promotores e o delegado do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina repassaram detalhes da investigação que, nessa quarta-feira (4), conseguiu desmantelar um esquema criminoso acusado de fraudar R$ 300 milhões em ICMS. A organização, formada por frigoríficos e usinas de biodiesel, usavam empresas de fachada, denominadas para fraudar a comercialização de sebo. Segundo o delegado do Gaeco, Ricardo Jorge, as chamadas "noteiras" eram abertas no nome de moradores de rua e pessoas que já até morreram. O esquema era viabilizado por um contador de Arapongas, que já tinha sido alvo de uma investigação, envolvendo o jogo do bicho, em 2020.
Mais de 60 mandados judiciais foram cumpridos em cidades de quatro estados brasileiros. Quatro pessoas foram presas em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. As operações também conseguiram, na Justiça, o bloqueio de R$ 270 milhões em valores e bens dos investigados para a reparação dos cofres do Estado. O delegado do Gaeco explicou que o esquema se utilizava das "noteiras" para intermediar as negociações e, consequentemente, absorver todo o passivo tributário das empresas investigadas.
O promotor Renato de Lima Castro, integrante do chamado Gaeco Fiscal, explicou que o esquema também usava fundos de investimento para "esquentar" os valores desviados.
Ainda segundo as investigações, as "noteiras" alvos da operação já tinham sido fiscalizadas pela Receita Federal e investigadas em outros inquéritos. Apesar disso, o esquema continuava funcionando. O delegado da Receita em Londrina, Marcelo Ross, destacou a importância do trabalho integrado para colocar fim aos prejuízos causados pela organização.
O promotor Renato de Lima Castro também falou sobre a importância do trabalho realizado em parceria e da criação de um setor no Gaeco específico para apurar crimes fiscais. Só assim, no entendimento dele, vai ser possível fazer frente aos sonegadores.