TERCA, 29/09/2026, 19:09

Déficit de R$ 205 milhões pressiona contas de Londrina

Prefeito Tiago Amaral afirma que município precisa corrigir a rota fiscal, com redução de despesas, revisão de contratos e mudanças no transporte coletivo

A Prefeitura de Londrina estima um déficit de R$ 205 milhões nas contas do município em 2026. O valor é resultado de R$ 81 milhões em despesas de 2025 que ainda precisam ser pagas e de uma previsão de frustração de receitas de R$ 124 milhões, relacionada principalmente ao IPVA, Fundeb e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).

Os números foram apresentados nesta terça-feira (29) pelo prefeito Tiago Amaral, em entrevista coletiva em seu gabinete, com a participação do secretário municipal de Fazenda, Eder Pires, e do presidente da CMTU, Renan Salvador. Segundo o prefeito, a situação exige uma mudança na forma como o município administra as despesas.
Entre as medidas anunciadas estão a revisão de contratos, a redução de despesas administrativas e a readequação do transporte coletivo. Segundo Amaral, a Prefeitura já conseguiu economizar mais de R$ 40 milhões com a revisão de contratos e trabalha para reduzir em 25% os valores de outros contratos em análise. Também estão previstas mudanças na utilização da frota e redução de deslocamentos de servidores e secretários.
O transporte coletivo é apontado pelo prefeito como uma das principais despesas que precisam ser reavaliadas. A administração pretende otimizar as linhas e reduzir o subsídio pago com recursos públicos. De acordo com Amaral, somente neste ano a Prefeitura já repassou mais de R$ 100 milhões para o sistema. Somados aos valores arrecadados com as tarifas, os recursos destinados ao transporte devem chegar a cerca de R$ 260 milhões até o fim do ano.
O prefeito também voltou a criticar o aumento do subsídio concedido às empresas de ônibus em 30 de dezembro de 2024. Segundo ele, os R$ 100 milhões destinados ao sistema naquela ocasião poderiam atualmente financiar cerca de 30 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou 23 escolas durante um ano. Amaral classificou o aumento como desproporcional e afirmou que a atual gestão precisou analisar os contratos antes de adotar novas medidas para evitar impactos ainda maiores nas contas municipais.
Sobre uma eventual responsabilização por decisões tomadas em gestões anteriores, Amaral disse que o objetivo neste momento é reorganizar as finanças da Prefeitura. Segundo ele, eventuais questões relacionadas à legalidade dos atos devem ser analisadas pelos órgãos competentes, como o Ministério Público.
O prefeito afirmou ainda que a Prefeitura conseguiu reduzir de aproximadamente R$ 300 milhões para R$ 80 milhões o déficit relacionado ao exercício de 2025, mas avaliou que o modelo anterior de despesas não seria sustentável. Por isso, segundo ele, a administração está adotando medidas de contenção para tentar equilibrar as contas sem comprometer a prestação dos serviços públicos.

Por João Gabriel Rodrigues

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