QUARTA, 03/06/2026, 10:04

Controladoria-Geral do Município confirma envio de auditoria sobre a desestatização da Sercomtel ao Ministério Público e Tribunal de Contas

Apuração da CBN aponta para indícios de fraude na transação financeira, que teria sido feita com recursos do Banco Master

A Controladoria-Geral do Município confirmou, em nota enviada à CBN, que encaminhou a órgãos de controle o resultado da auditoria feita no processo que culminou na desestatização da Sercomtel, em 2020. Apuração exclusiva da reportagem apontou que foram encontrados indícios de fraude na transação financeira. O processo chegou a ser alvo de uma ação na Justiça, mas o pedido pela anulação da venda da estatal foi indeferido em primeira instância. Na nota, a Controladoria esclareceu que “a fiscalização técnica e a análise dos repasses financeiros que subsidiaram a desestatização da Sercomtel foram integralmente realizadas e concluídas durante a gestão municipal anterior”.

O órgão também garantiu que não realizou nova auditoria ou intervenção no processo, “tendo em vista que o trabalho de apuração do controle interno já havia sido totalmente esgotado” na gestão passada. A Controladoria confirmou que, na época, “identificou os achados que subsidiaram os trabalhos dos órgãos de fiscalização externa”, e que as possíveis irregularidades levantadas foram repassadas, por meio de representações, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e para o Ministério Público (MP), “esferas competentes para a apuração de eventuais responsabilidades e indícios de fraudes”. A CBN tenta confirmar a informação junto aos órgãos de controle. Por fim, a controladoria reafirmou, na nota, o compromisso inabalável do órgão com as diretrizes de governança, transparência e integridade pública”.

A reportagem também procurou a Ligga Telecom, que, segundo apuração da CBN, teria recebido os principais ativos da antiga estatal londrinense por ser do mesmo grupo econômico na época administrado por Nelson Tanure. Por meio de nota, a Ligga informou que a empresa e a Sercomtel são companhias distintas, com estruturas societárias independentes. A Ligga informou ainda que a “Sercomtel permanece detentora de todas as suas outorgas regulatórias, com exceção da licença relacionada ao 5G, que foi negociada em operação específica e separada”.

Ainda conforme a nota, perante a Anatel, “as outorgas de telefonia fixa e móvel devem estar unificadas quando pertencentes a um mesmo grupo econômico”. Por isso, no ano passado, esse grupo realizou um movimento de reorganização operacional entre Ligga e Sercomtel. A Ligga passou a concentrar a operação de banda larga, enquanto a Sercomtel permaneceu com a operação de voz. Para viabilizar essa estrutura, de acordo com a nota, houve a transferência das respectivas carteiras de clientes entre as empresas: a Ligga transferiu a base de clientes de voz dela para a Sercomtel, enquanto a Sercomtel transferiu a sua base de clientes de banda larga para a Ligga.  

A Ligga garantiu que todo o processo ocorreu de forma regular, em conformidade com as regras regulatórias aplicáveis. A empresa também informou que mantém operação dela “normalmente em Londrina, com prestação de serviços e atendimento aos clientes da região”.

Paralelamente, ainda conforme a nota, a Sercomtel avança em um processo de atualização tecnológica e modernização da operação de telefonia fixa “agora a nível nacional, reforçando seu compromisso histórico com a inovação e a evolução dos serviços oferecidos aos clientes, em um movimento que prepara a companhia para uma nova fase de crescimento e evolução tecnológica na região”. Ou seja, a nota garante que, apesar do suposto desmonte, a Sercomtel segue em operação e com atividades em andamento na cidade.

A CBN entrou em contato com a diretoria-geral da Polícia Federal (PF), em Brasília, para saber se as supostas irregularidades envolvendo a desestatização da Sercomtel serão investigadas no âmbito da Compliance Zero, mas a informação recebida é de que o processo corre sob sigilo. Portanto, a pergunta não poderia ser respondida. O escândalo do Banco Master já é considerado uma das maiores fraudes bancárias da história do Brasil. O rombo estimado pode chegar a R$ 500 bilhões. As investigações já resultaram na liquidação do banco e de outras instituições financeiras pelo Banco Central.

A CBN também tentou contato com os advogados de Daniel Vorcaro e Nelson Tanure, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Por Guilherme Batista

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