SEXTA, 05/08/2016, 19:15

Bananas de dinamite são encontradas em sala do Instituto de Criminalística em Londrina que estaria trancada há dois anos

Diretor-geral do órgão no estado é suspeito de engavetar perícias no local. Já o advogado de Daniel Felipetto alega que a investigação do Ministério Público é midiática. O chefe do instituto na cidade se demitiu após o MP apreender documentos e objetos no prédio.

A sede do Instituto de Criminalística em Londrina foi alvo nessa sexta-feira (05) de um mandado de busca e apreensão expedido pela 5º Vara Criminal a pedido da Promotoria de Inquéritos Policiais da cidade. O cumprimento do mandado teve apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. De acordo com a promotora de justiça Claudia Piovezan, a ação ocorreu porque, em uma visita de rotina realizada anteriormente, as promotoras Caroline Esteves e Leila Schimiti não conseguiram ter acesso a uma sala do prédio. Na ocasião, um servidor do órgão teria dito que não estava autorizado a abrir o local.

O responsável por manter a sala trancada seria o ex-chefe do Instituto de Criminalística em Londrina e atual diretor-geral do órgão no estado, Daniel Felipetto. Com o mandado, o espaço pode ser aberto. Lá foram encontrados documentos relativos a perícias e também alguns objetos, mas, após bananas de dinamite serem descobertas no recinto, a busca e apreensão acabou interrompida e o Esquadrão Antibombas de Curitiba foi acionado.

Os explosivos foram coletados pelo grupo da capital. Claudia Piovezan contou que ainda desconhece o motivo de as dinamites estarem na sala. A partir de agora, a promotoria irá avaliar todo o material recolhido para saber se há como confirmar os indícios de que perícias teriam sido engavetadas.

A análise do material está prevista para começar na manhã desta segunda-feira (08). Por outro lado, o advogado de Felipetto, André Cunha, alegou que não há provas que possam indicar que o cliente teria deixado de realizar perícias. Para o defensor, a ação do Ministério Público foi “midiática”. Ele afirmou ainda que o espaço não permanecia fechado o tempo todo e abrigava apenas o arquivo morto pertencente ao diretor-geral do instituto.

Já sobre as bananas de dinamite encontradas no local, o advogado comentou que é prática corriqueira esse tipo de artefato ser encaminhando pela polícia para os peritos da Criminalística.

Procurada pela nossa reportagem, a Polícia Científica do Paraná informou que, após a busca e apreensão dessa sexta, o chefe do instituto em Londrina, Luciano Bucharles, decidiu deixar o cargo. A instituição declarou que considera “desproporcional” a ação do Ministério Público e abrirá um procedimento administrativo para saber por que os membros do MP não tiveram acesso à sala na primeira vez que tentaram. Por fim, conforme a Polícia Científica, as bananas de dinamite não apresentavam risco de detonação e faziam parte de um inquérito que apura a explosão de um caixa eletrônico na região.

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