Armas brancas já representam 45% dos homicídios registrados em Londrina em 2026
Cidade teve 10 assassinatos com facas e outros objetos cortantes até 15 de outubro, mesmo número de mortes violentas registradas em todo o ano passado
O uso de facas e outros objetos cortantes ganhou destaque nos homicídios registrados em Londrina. Segundo dados da Polícia Militar, 10 dos 22 assassinatos contabilizados entre janeiro e 15 de outubro de 2026 foram cometidos com armas brancas, o equivalente a 45% do total. Em todo o ano passado, foram 22 homicídios, sendo dois com esse tipo de instrumento, cerca de 9% das ocorrências.
Diante desse cenário, as forças de segurança lançaram nesta sexta-feira (16) a Operação OMNIS, com participação das polícias Militar e Civil, da Guarda Municipal e do Ministério Público. A ação intensifica as abordagens nas ruas e busca conscientizar a população sobre os riscos e as possíveis consequências legais do porte de armas brancas.
A promotora de Justiça Josilaine Aleteia de Andrade afirma que o aumento de crimes graves envolvendo esses objetos, principalmente nos últimos dois meses, chamou a atenção das autoridades. Além dos homicídios, foram registrados casos de feminicídio, lesão corporal e ameaça. Segundo ela, muitas pessoas desconhecem que portar uma faca, um facão ou um canivete pode configurar infração penal, dependendo das circunstâncias. A promotora ressalta que o objetivo da operação é prevenir novos casos e orientar a população.
Objetos utilizados como ferramentas de trabalho ou em atividades cotidianas podem ter justificativa, mas o uso ou o porte em circunstâncias que indiquem risco ou prática criminosa pode resultar em medidas legais. Por isso, a orientação é evitar carregar armas brancas sem necessidade ou justificativa.
Para o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Paulo Henrique Costa, o crescimento proporcional dos homicídios cometidos com armas brancas está relacionado, em parte, à mudança no perfil das ocorrências. Segundo ele, o trabalho preventivo das polícias contribuiu para reduzir crimes ligados à criminalidade organizada, geralmente praticados com armas de fogo. Com isso, ganharam destaque os chamados homicídios de ocasião, motivados por brigas e desentendimentos em bares, residências e outros ambientes.
O delegado destaca que facas e outros objetos cortantes são de fácil acesso, pois podem ser comprados sem a burocracia exigida para a aquisição de armas de fogo. Por isso, defende a intensificação das abordagens e a conscientização sobre o potencial letal desses instrumentos.
Durante a operação, os casos identificados serão avaliados e, quando houver indícios de infração penal, poderão resultar na apreensão do objeto e na formalização de procedimentos para responsabilização do envolvido.
A expectativa das forças de segurança é reduzir a violência provocada por conflitos cotidianos e evitar que discussões terminem em agressões graves ou mortes.