Secretário diz que não pode usar recursos do Restaurante Popular para custear refeições enquanto espaço estiver fechado
Ministério Público havia recomendado que município criasse alternativas para atender população que almoçava no restaurante. Reforma no espaço deve durar pelo menos mais 30 dias
A Prefeitura de Londrina não vai atender recomendação do Ministério Público (MP) para a oferta de refeições aos usuários do Restaurante Popular enquanto o espaço estiver fechado. Por dia, cerca de 640 almoços eram oferecidos no espaço a um custo de R$ 3,00. A população está desassistida desde o dia 17 de abril, quando o local fechou as portas para reforma. Nesse meio-tempo, a prefeitura também precisou lançar uma licitação para contratar uma empresa para o fornecimento das refeições, já que a antiga não aceitou renovar o contrato. Os envelopes com as propostas das interessadas já foram abertos e, atualmente, o processo encontra-se na fase da análise de documentos.
O secretário municipal de Agricultura, Jamil Janene, explicou que, pela lei federal do Restaurante Popular, o poder público não pode usar os recursos do programa para custear as refeições de uma outra forma. Na recomendação enviada ao município, o MP sugeriu a distribuição de vouchers ou a compra de marmitex aos usuários. Mas nenhuma alternativa é viável, conforme destacou o secretário.
A reportagem da CBN visitou o restaurante nesta terça-feira (2). A reforma no local ainda está longe de chegar ao fim. Encontramos poucos operários trabalhando nas obras do piso. O prédio também vai receber melhorias nos banheiros, troca do telhado e nova pintura, entre outras adequações. O investimento gira em torno dos R$ 350 mil. A reforma começou no final de abril e deve durar pelo menos mais 30 dias.
O secretário disse que o município também vai usar esse tempo para finalizar a contratação da nova empresa que ficará à frente do preparo das refeições. O edital prevê que o município custeie até R$ 13,31 por refeição, em um contrato com duração de dois anos. Questionado se faltou planejamento para evitar o término do contrato, Jamil Janene disse que a antiga terceirizada chegou a informar que iria renovar o acordo, mas que, no final do processo, resolveu encerrar o vínculo. Ele garantiu que o município foi pego de surpresa.
A negativa do município para a oferta das refeições de uma outra forma pode fazer com que o Ministério Público judicialize o caso. Apesar da possibilidade, o secretário de Agricultura disse estar tranquilo, destacando que está apenas cumprindo a lei.