Produção industrial do Paraná cresce mais que a média nacional em junho, mas fecha semestre com leve recuo
De acordo com especialista, setor ainda sente efeitos de período prolongado de juros elevados
A produção industrial do Paraná cresceu 2,8% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal que foram divulgados essa semana pelo IBGE. O desempenho é superior à média nacional, de 1,7%. O resultado foi positivo para o referido mês, mas o primeiro semestre terminou com um leve recuo de 0,6%, no estado, no acumulado do ano. O resultado é pior se comparado ao registrado pelo país, que teve avanço de 1,5% no mesmo período.
Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe, os índices mostram que a indústria paranaense ainda enfrenta um cenário de desaceleração, tanto é que o estado ocupa a quinta colocação, no país, no desempenho de junho e apenas a décima no acumulado do ano.
Ele citou que a economia paranaense ainda absorve os efeitos da política monetária adotada ao longo do ano passado, que, conforme o economista, foi marcado por juros elevados. Quando a Selic se mantém alta, em 15%, segundo Felippe, o crédito também fica mais caro. Essa tendência, de acordo com o economista, aumenta o custo de capital das empresas e, consequentemente, reduz o ritmo de investimentos e o consumo por parte da população.
Fellipe lembrou ainda que o desempenho depende de outros fatores, como demanda, exportações, câmbio, estoques e decisões empresariais, tanto é que o resultado de junho foi positivo. Os números foram sustentados, principalmente, pelos segmentos de fabricação de derivados de petróleo e biocombustíveis, que cresceram 11,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, e pelo setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, que fechou junho com alta de 9,2%.
Já as maiores retrações foram registradas na fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-14,5%), máquinas e equipamentos (-5,6%), produtos químicos (-5,2%), borracha e material plástico (-5,1%) e produtos de madeira (-4,9%). O economista disse que, para os próximos meses, a recuperação só virá se houver a redução de juros e a retomada de investimentos.