QUARTA, 04/11/2026, 09:16

Operação cumpre mandados contra acusados de usar símbolos nazistas para ameaçar estudantes da UEL

Mensagens incitando atos de violência contra protesto realizado no mês passado foram postadas em um grupo de WhatsApp. Universidade diz que acusados não fazem parte da comunidade acadêmica

O setor operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina realizou uma operação, nessa terça-feira (3), para cumprir seis mandados de busca e apreensão, no Paraná e em São Paulo, no âmbito da investigação que apura o uso de símbolos nazistas, em um grupo de WhatsApp, para a divulgação de ameaças contra um protesto político realizado no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no dia 8 de outubro. As mensagens usaram fotos com símbolos da ideologia totalitária e, ainda, frases que incitavam atos de violência contra a manifestação, incluindo o uso de bombas.

Os fatos apurados pela polícia levam em conta uma lei de 1989 que tipifica a veiculação de símbolos para fins de divulgação do nazismo e os crimes resultantes de discriminação ou preconceito, bem como o artigo 286 do Código Penal, que trata da incitação ao crime. Os procedimentos tramitam sob segredo de justiça. Em razão da sensibilidade do tema e da necessidade de reunir maiores elementos informativos, a Polícia Civil informou que não vai divulgar, neste momento, detalhes das diligências, tampouco a identidade dos investigados.

Apesar das ameaças, o protesto, realizado em frente ao Restaurante Universitário (RU), ocorreu sem o registro de intercorrências. No dia, uma viatura da Polícia Civil acompanhou o evento. Na época, a 10ª Subdivisão Policial de Londrina informou que o inquérito foi aberto após provocação da 24ª Promotoria de Justiça de Londrina e da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Os órgãos encaminharam, à autoridade policial, a captura das mensagens que haviam sido postadas no grupo de WhatsApp um dia antes da realização da manifestação. Em tese, veicular símbolos ou propaganda que utilizem símbolos do regime arianista para fins de divulgação do nazismo é crime com pena de dois a cinco anos de reclusão e multa.

Em nota, a UEL informou que estava ciente das manifestações divulgadas no grupo de WhatsApp e que, inclusive, já havia definido um plano de contingência para "resguardar pessoas e o patrimônio físico" da instituição durante o protesto. O comunicado informou ainda que o "Regimento Geral da UEL proíbe qualquer conduta que cause danos físicos ou psicológicos a membros da comunidade". A Universidade Estadual de Londrina, ainda segundo a nota, "tem como princípio a gestão democrática e o pluralismo de ideias. Além disso, "sua autonomia universitária é assegurada pela Constituição Federal e pela Constituição Estadual". A UEL acompanha a investigação policial, e acrescenta que, a princípio, os responsáveis pelas ameaças não fazem parte da comunidade acadêmica da instituição.

Por Guilherme Batista

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