Novos contratos prevêem aumento no repasse da prefeitura para hospitais de Londrina, mas déficit mensal do teto do SUS seguirá em quase R$ 3 milhões
Prefeito critica postura do Ministério da Saúde em relação ao problema e afirma que a demanda tem sido tratado com cinismo pela pasta.
A Prefeitura de Londrina renovou nessa quarta-feira os contratos de repasse de recursos para cinco hospitais da cidade. Os novos vínculos têm duração de cinco anos e abrangem os Hospitais Universitário, Evangélico, do Câncer, de Olhos e também a Santa Casa. O último acordo, firmado em 2010, pagava pouco mais de R$ 16 milhões por mês. A partir de agora, o montante previsto é de R$ 23 milhões entre transferências do estado, governo federal e do próprio município. O valor acertado em 2010 já havia tido acréscimos durante os últimos anos, como, por exemplo, o fato de a prefeitura ter passado a desembolsar R$ 1 milhão ao mês para cobrir o déficit do teto do SUS. Ainda assim, o secretário de Saúde de Londrina, Gilberto Martin, disse que, com esse aumento de verba, a fila de exames de média e alta complexidade será zerada nos próximos anos.
Porém, os novos contratos não resolvem o déficit do repasse mensal do Sistema Único de Saúde para Londrina. Segundo a prefeitura, todo mês a conta fecha no negativo, com carência de quase R$ 2,7 milhões. Diante desse cenário, de acordo com Martin, o município precisa deixar de lado a atenção primária e tratar de demandas que seriam de responsabilidade do governo federal.
Em seu discurso na assinatura dos contratos, o prefeito Alexandre Kireeff fez duras críticas ao Ministério da Saúde em relação ao teto do SUS. Kireeff afirmou que enfrentou “posturas cínicas” dentro da pasta quando foi pedir o aumento do repasse. Perguntado se o tratamento tinha ocorrido na atual gestão de Ricardo Barros no ministério, o prefeito alegou que a queixa não foi dirigida ao atual governo.
O ministro da Saúde, inclusive, esteve em Londrina neste mês, mas frustrou quem esperava novidades positivas a respeito do teto do SUS. Na ocasião, Barros descartou a possibilidade de o repasse aumentar. A justificativa foi a crise nas finanças do governo.