SEGUNDA, 16/03/2026, 13:25

Nova portaria reforça combate ao greening, doença que atinge produção de laranjas, tangerinas e limões

Norma da Adapar estabelece prazos para retirada de plantas contaminadas e amplia medidas para conter a doença que ameaça a citricultura

Uma nova portaria da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) estabelece regras mais rígidas para o controle do greening, doença considerada a mais severa da citricultura mundial. A medida afeta diretamente produtores de laranja, tangerina e limão em todo o Paraná, principalmente nas regiões com maior concentração de pomares.

A norma define um cronograma para erradicação de plantas infectadas pela doença, também conhecida como HLB (Huanglongbing). De acordo com o engenheiro agrônomo e fiscal de defesa agropecuária Diego Juliani de Campos, o objetivo é tornar o controle mais eficiente e evitar a disseminação nos pomares.

O greening é transmitido pelo psilídeo, inseto que infecta as plantas ao se alimentar da seiva. A doença não tem cura e provoca queda prematura dos frutos, deformações e perda de qualidade na produção. Entre os principais sintomas estão galhos amarelados, folhas com manchas irregulares e frutos deformados ou com sementes abortadas. A identificação precoce é considerada fundamental para evitar a disseminação dentro do pomar.

Outro ponto previsto na portaria é que talhões com mais de 50% das plantas apresentando sintomas deverão ser erradicados completamente, mesmo que algumas árvores ainda não apresentem sinais visíveis da doença. A norma também estabelece restrições para plantas isoladas de citros em áreas próximas à produção comercial. Em um raio de quatro quilômetros de pomares comerciais não será permitida a manutenção de árvores em quintais ou chácaras, medida que busca reduzir a circulação do inseto transmissor.

No Paraná, o greening já foi confirmado oficialmente em 164 municípios, com maior presença nas regiões produtoras do Norte do estado. Segundo especialistas, além da erradicação de plantas infectadas, outras medidas fundamentais incluem o uso de mudas certificadas, monitoramento constante do psilídeo e orientação técnica para manejo adequado nas propriedades.

Por Paulo Andrade

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