MP denuncia vereadora de Londrina por maus-tratos e poluição ambiental
Investigação aponta crimes ambientais na gestão da ONG ADA e posse irregular de entorpecentes; promotoria pede indenização de R$ 1,4 milhão
O Ministério Público do Paraná ofereceu denúncia criminal contra a vereadora Anne Ada (Avante) por irregularidades cometidas enquanto presidia a Associação Defensora dos Animais (ADA).
A investigação, detalhada pela 20ª Promotoria de Justiça, aponta 91 fatos criminosos ocorridos entre 2019 e 2025. Entre as acusações estão maus-tratos coletivos a cães e gatos, poluição ambiental pelo descarte irregular de 22 carcaças de animais e tráfico de drogas, devido à posse de 109 ampolas de substâncias como morfina e centenas de comprimidos sem autorização.
De acordo com a promotora Révia Aparecida Peixoto de Paula Luna, a denúncia é o resultado de uma longa investigação que começou na esfera civil.
Antes de acionar a Justiça, o MP tentou resolver a situação de forma administrativa, orientando a parlamentar a adequar as instalações da ONG, que abrigava cerca de mil animais em condições precárias. Diante do descumprimento das recomendações e de indícios de desvio de doações e recursos públicos, a entidade sofreu intervenção judicial no ano passado e passou a ser gerida pela CMTU.
O processo criminal avançou após a conclusão de perícias complexas em telefones e carcaças de animais. Além da condenação pelos crimes, o Ministério Público solicitou medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, o distanciamento mínimo de 500 metros da sede da associação e a proibição de que a vereadora mantenha a guarda de animais. Há relatos de que ela estaria acumulando novos bichos em sua residência atual.
Caso seja condenada, a parlamentar poderá ter que pagar uma indenização mínima de R$ 1,47 milhão para ressarcir os cofres públicos e reparar os danos causados. A denúncia aguarda análise do Judiciário para que a acusada seja formalmente citada e apresente sua defesa. Até o momento, o processo segue com a vereadora em liberdade, e as provas colhidas, que incluem registros fotográficos e laudos veterinários, são públicas.