Mensagens expõem comércio de metralhadoras e esquema de assinaturas do PCC, em Londrina
De acordo com investigação do Gaeco, faccionados trocavam cocaína por assinaturas em prol de projeto de iniciativa popular que buscava flexibilizar regras para visitas íntimas em presídios
A reportagem da CBN teve acesso a um documento do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de Londrina, que traz detalhes do trabalho de extração de dados do celular de um investigado no âmbito da Operação Umbra, que apura o esquema tocado pela facção criminosa PCC no norte do Paraná. As investigações encontraram indícios envolvendo o comércio de armas e de drogas por parte dos integrantes da quadrilha e, ainda, detalhes de como os faccionados agiam para angariar assinaturas em prol de um projeto de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas nos presídios.
As mensagens mostram conversas em que os suspeitos combinam a entrega de assinaturas em troca de cocaína. A cada oito assinaturas angariadas, o traficante receberia 1 grama de "brilho", gíria usada na troca de mensagens para se referir ao entorpecente. As conversas trazem relatórios mostrando que o traficante responsável pelas biqueiras nos conjuntos União da Vitória e Cristal, na zona sul, por exemplo, recebeu 25 gramas de cocaína depois de entregar dez folhas com assinaturas em prol do projeto. Os responsáveis pelo tráfico no jardim Ideal, na zona leste, e em Bela Vista do Paraíso também teriam sido "contemplados" com a droga depois da entrega das assinaturas.
O relatório traz, ainda, mensagens em que os traficantes negociam a entrega de tabletes de maconha e o que parece ser pasta base de cocaína. Além disso, os criminosos usam os grupos para anunciar a venda de armamento pesado. Numa das mensagens, o suspeito aparece anunciando a venda de uma metralhadora por R$ 50 mil.
A operação do Gaeco cumpriu sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão em Londrina, Cambé e outras cidades do Paraná e de São Paulo nessa quarta-feira (28). A investigação focou o núcleo da facção que ficava sediado na zona sul de Londrina e atuava em toda a região norte do estado, com o comércio de drogas e armas de fogo e dando ordens para o cometimento de outros crimes graves, como assaltos e homicídios. Inclusive, durante a operação desta quarta-feira, segundo o promotor, foram presos dois homens acusados de assassinar a tiros um rival, em Rolândia, em 2024. Na ocasião, a vítima estava com o filho de 7 anos no colo. A criança também foi morta.
A operação apreendeu droga, armas, celulares e anotações relacionadas ao esquema criminoso. O Gaeco vai continuar investigando o caso, com o objetivo de identificar os outros integrantes da quadrilha, que possui "braços" em todo o território nacional. As informações são do promotor José Paulo Montesino.