Guerra no Oriente Médio pressiona agro e pode encarecer produção no Norte do Paraná
Conflito afeta frete, fertilizantes e exportações. Produtores monitoram cenário e apostam no mercado interno como alternativa
O conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã já começa a refletir no agronegócio brasileiro, com impactos que chegam até o Norte do Paraná. O bloqueio de rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, tem elevado custos logísticos e gerado preocupação entre produtores, especialmente pela dependência do setor em combustíveis e transporte.
Segundo o engenheiro agrônomo e diretor técnico na APEPA (Associação das Empresas de Planejamento Agropecuário do Paraná), Lucas Schauff, o primeiro efeito é imediato e atinge toda a cadeia produtiva.
Além do custo logístico, o conflito atinge diretamente as relações comerciais do Brasil. Países do Oriente Médio são grandes compradores de produtos agrícolas brasileiros, com destaque para o Irã. Em 2025, o país respondeu por quase um quarto das exportações da região.
A tendência, em um cenário de guerra, é de redução na demanda, o que pode afetar diretamente produtores que dependem do mercado externo. Outro ponto crítico é a dependência de fertilizantes. O Oriente Médio é um dos principais fornecedores de adubos nitrogenados, essenciais para a produção de milho.
A alta nesses insumos pode elevar ainda mais o custo de produção. Mesmo assim, o impacto imediato no Norte do Paraná é parcialmente amortecido, já que muitos produtores já adquiriram os insumos antes da escalada do conflito.
Diante das incertezas, o setor acompanha o cenário com cautela. Caso as exportações sejam prejudicadas, a principal alternativa será redirecionar a produção para o consumo interno, especialmente para a cadeia de proteína animal.
Apesar da preocupação, entidades do setor e produtores do Norte do Paraná ainda estão em fase de monitoramento e análise, para definir quais serão os próximos passos caso o conflito no Oriente Médio se prolongue.