Conflito na Fazenda Tamarana segue sem definição
Uma longa batalha judicial se instaurou em virtude de suposto erro de demarcação da Terra Indígena
O proprietário da Fazenda Tamarana, Eucler Alcântara Ferreira, o caseiro, Lealdo Barreto dos Santos, e o advogado Rodolfo Ciciliato, repassaram mais detalhes da invasão das terras da família. Aproximadamente 50 indígenas ocuparam o espaço após diversas ameaças e apedrejamento.
O advogado explicou que o conflito da Fazenda Tamarana se estende há uma década. Uma longa batalha judicial que se instaurou em virtude de suposto erro de demarcação da Terra Indígena Apucaraninha por parte do Governo do Estado do Paraná que até agora não foi comprovado.
Depois do conflito nas terras na madrugada do dia 5/3, o advogado participou de audiência com o Tribunal Regional Federal da 4ª Região com a participação da FUNAI, Defensoria Pública da União, Ministério Público Federal, Estado do Paraná, para debater o assunto e assegurar a volta da família para a propriedade.
O caseiro e a família não conseguem esquecer os momentos de terror. Lealdo relembrou que ele, a esposa que estava com uma bebê de 1 anos e 5 meses no colo, e a nora, foram expulsos da propriedade sob gritos, ameaças de agressões com lanças e apedrejamento.
Para salvar a própria vida, Lealdo contou que ficou aproximadamente duas horas escondido em um rio. O proprietário da fazenda, onde se cultiva, milho, soja e trigo, disse que as terras possuem toda a documentação comprovando a titularidade do espaço desde 1950. Que em 2017 aproximadamente 70 alqueires foram ocupados pelos indígenas de forma ilegal e arrendaram para terceiros. Além disso, existe uma decisão judicial que determina que os indígenas mantenham 150 metros de distância da fazenda.
O indígena Anilton Lourenço repassou que os povos originários possuem escritura das terras e que a fazenda seria pertencente a eles e pediu ajuda dos órgãos competentes. Que no local existe um espaço que iria ser utilizado como escola para as crianças. O advogado pede que as autoridades tomem providências antes que uma tragédia aconteça.