SáBADO, 31/10/2026, 09:34

Cesta básica sobe mais de 9% em dois meses e acumula alta de 15,5% em Londrina

Pesquisa da UTFPR aponta que alimentos ficaram 18,74% mais caros em 12 meses. Diferença entre o supermercado mais barato e o mais caro chega a quase R$ 200

O preço da cesta básica voltou a subir em Londrina em outubro e já acumula aumento superior a 9% nos últimos dois meses. De acordo com a pesquisa coordenada pelo economista e professor Marcos Rambalducci, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o valor médio dos produtos chegou a R$ 734,81, uma alta de 2,53% em comparação com setembro. O levantamento considera os preços praticados em 11 supermercados de diferentes regiões da cidade, incluindo o Centro.

O resultado preocupa porque a alta dos alimentos tem reduzido o poder de compra das famílias, principalmente daquelas com menor renda. Segundo Rambalducci, a cesta básica está 15,52% mais cara em relação a janeiro deste ano. Já a inflação dos alimentos acumulada em 12 meses chegou a 18,74%. Na comparação entre os períodos de janeiro a outubro de 2025 e de janeiro a outubro de 2026, o poder de compra do salário mínimo em relação aos alimentos caiu 5,4%.

Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento em outubro estão os hortifrutigranjeiros. O tomate teve alta de 13,4%, enquanto a banana ficou 9,2% mais cara. A margarina também apresentou aumento significativo, de 6,6%.

Na contramão das altas, alguns itens apresentaram pequenas reduções. O arroz ficou 1,7% mais barato, o óleo de soja teve queda de 1,2% e o leite recuou 1,1%. A carne também teve uma pequena redução, de 0,6%, mas a expectativa é de aumento nos próximos meses.

O professor alerta que os preços dos alimentos podem voltar a subir em novembro e dezembro, principalmente por causa da maior procura por carne no período das festas de fim de ano. O produto representa mais de 40% do custo total da cesta básica e, por isso, qualquer aumento tem impacto significativo no valor final.

Outro fator que pode pressionar os preços é a alta do dólar. Segundo Rambalducci, com a valorização da moeda americana, alguns produtos brasileiros se tornam mais atrativos para a exportação. Isso pode diminuir a quantidade de alimentos disponível no mercado interno e provocar novos aumentos para o consumidor.

Diante desse cenário, o economista reforça a importância de pesquisar os preços antes de fazer as compras. O levantamento da UTFPR identificou uma diferença de quase R$ 200 entre o supermercado com a cesta básica mais barata e aquele com o maior preço. No estabelecimento com os menores valores, a compra custava R$ 619,71. Já no mais caro, chegava a R$ 817,91.

Por João Gabriel Rodrigues

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