Câmeras em banheiro de escola de Cambé provocam investigação e afastamento da direção
Equipamentos foram encontrados no banheiro feminino do Colégio Érico Veríssimo; mãe de aluna questiona a instalação sem aviso às famílias, e Secretaria de Educação proíbe câmeras nesses espaços
O Ministério Público do Paraná (MPPR) e a Polícia Civil vão investigar a instalação de câmeras no banheiro feminino do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no norte do Paraná. O caso veio à tona no início desta semana, depois que alunas encontraram um equipamento escondido ao lado de um espelho. Uma estudante desconfiou de uma luz vermelha e, ao retirar uma peça de plástico, descobriu o dispositivo, que estaria voltado para o interior do banheiro.
Segundo relatos de estudantes, o equipamento teria sido instalado em 2023. Na época, a direção teria informado que se tratava de um sensor de fumaça, usado para evitar que alunos fumassem no local. A situação gerou ainda mais preocupação porque, durante um desfile realizado recentemente na escola, algumas estudantes usaram o banheiro para trocar de roupa, ficando expostas à área alcançada pelo equipamento.
Em entrevista à Rádio CBN Londrina, a mãe de uma aluna classificou a situação como inaceitável e afirmou que as famílias não foram informadas sobre a instalação.
A mãe também questionou a justificativa de que as câmeras teriam sido instaladas para evitar atos de vandalismo. Para ela, se esse era o objetivo, os equipamentos não deveriam ter sido escondidos.
Após a repercussão do caso, o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, anunciou nesta terça-feira (21) o afastamento da direção do colégio, por determinação ao Núcleo Regional de Educação de Londrina. O secretário também informou que publicou uma resolução para proibir a instalação de câmeras em banheiros e vestiários das escolas estaduais.
O Ministério Público e a Polícia Civil devem apurar as circunstâncias da instalação, o funcionamento dos equipamentos e o possível registro de imagens no interior do banheiro.