QUARTA, 07/10/2026, 16:20

Aluguéis sobem e perda de renda aumenta risco de inadimplência em Londrina

Presidente do Sincil, Marco Antonio Bacarin, afirma que alta dos custos e juros elevados pressionam famílias e aquecem procura por imóveis para locação

O aumento dos aluguéis e a perda do poder de compra das famílias têm pressionado o mercado imobiliário de Londrina e contribuído para o crescimento da inadimplência. Em entrevista à reportagem da Rádio CBN Londrina, o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina (Sincil) e diretor vice-presidente adjunto para assuntos sindicais do Creci-PR, Marco Antonio Bacarin, explicou que o atraso nos pagamentos não pode ser atribuído apenas ao preço das locações.

Segundo Bacarin, pesquisa do Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Anopeia), referente ao segundo trimestre de 2026, mostra que 92,2% das famílias londrinenses têm parte da renda comprometida. Para ele, a redução do poder de compra faz com que o orçamento destinado ao aluguel ou às prestações seja usado também para alimentação, medicamentos, transporte e outras despesas, aumentando o risco de inadimplência.

O dirigente reconhece, porém, que o valor dos aluguéis também tem pesado no orçamento. Entre os fatores que pressionam os preços estão os custos com IPTU, condomínio e outros tributos, além das expectativas dos proprietários em relação aos impactos da reforma tributária. Ao mesmo tempo, os juros elevados dificultam a compra da casa própria, principalmente para famílias de menor renda, que acabam recorrendo ao aluguel.

Bacarin afirma que a procura por imóveis residenciais para locação está alta em Londrina e, em muitos casos, supera a quantidade de imóveis disponíveis. A combinação entre demanda elevada e oferta limitada contribui para a valorização dos aluguéis. O aumento do preço dos imóveis novos também acaba influenciando os valores dos imóveis usados.

O presidente do Sincil destaca ainda que a situação é diferente na região central de Londrina, onde cerca de 1.500 imóveis estão desocupados. Segundo ele, o problema não está relacionado apenas à inadimplência, mas também a questões como segurança, mobilidade, estacionamento, retração do comércio, habitação, serviços públicos e qualidade do espaço urbano.

Para Bacarin, o principal desafio do mercado é encontrar um equilíbrio entre o que o proprietário precisa receber e o que o inquilino consegue pagar. Ele defende que o chamado aluguel sustentável deve ser compatível com a realidade financeira das duas partes. Nesse cenário, segundo o dirigente, o corretor de imóveis tem papel importante para aproximar proprietários e inquilinos e ajudar a encontrar valores que estejam de acordo com as condições do mercado.

Por João Gabriel Rodrigues

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