QUARTA, 23/09/2026, 08:51

Londrina registra 36 doações de órgãos e mais de 145 transplantes em 2026

Cidade conta  com o Aeroporto Governador José Richa para agilizar o transporte de órgãos. Oito pousos com esse tipo de carga foram registrados até setembro

A rede de transplantes do Paraná registrou crescimento nos últimos anos e tem em Londrina um dos pontos estratégicos para a captação e distribuição de órgãos. Entre janeiro e setembro de 2026, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Londrina contabilizou 36 doações que contribuíram para que fosse realizado mais de 145 transplantes na região.

A estrutura da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) é formada por quatro OPOs, instaladas em Curitiba, Cascavel, Maringá e Londrina. A unidade londrinense atende as Regionais de Saúde de Apucarana (16ª), Londrina (17ª), Cornélio Procópio (18ª), Jacarezinho (19ª) e Ivaiporã (22ª) . Atualmente, 22 dos 108 hospitais que realizam esse processo no Paraná estão nessa macrorregional.

Entre os procedimentos realizados neste ano, as córneas aparecem em destaque, com 141 transplantes, além de três de rim e um de coração, que aconteceu em agosto deste ano no Hospital Norte Paranaense (HONPAR), em Arapongas, e beneficiou um homem de 49 anos, morador de Paranavaí, que aguardava por um coração compatível após 77 dias internado. Também foram registradas 14 doações de medula óssea e 17 transplantes com doadores vivos.

A taxa de recusa das famílias na região foi de 28%, ou seja, praticamente um a quatro casos em que a doação depende da autorização dos familiares, a resposta é negativa, abaixo das médias estadual, de 33%, e nacional, de 45%. Mesmo assim, a maior parte dos órgãos utilizados nos transplantes de órgãos sólidos realizados na região vem de fora, isso porque, 84% tiveram origem em outras regionais do Paraná.

É nesse ponto que o Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, entra em uma cadeia que depende de rapidez. Segundo a Casa Militar, oito pousos de aeronaves transportando órgãos foram registrados no terminal até o começo de setembro. Em todo o ano de 2025, foram 15.

A operação é preparada antes da chegada do avião. A Central de Transplantes comunica o aeroporto, que organiza a recepção da aeronave. Em voos da aviação geral, utilizados também por aeronaves particulares, existem procedimentos específicos para reduzir o tempo em solo. Essas aeronaves são isentas da taxa de permanência e têm prioridade operacional para pouso e decolagem quando necessário.

O transporte aéreo é apenas uma das etapas de uma rede que envolve hospitais, equipes de saúde, Central de Transplantes e transporte terrestre. No Paraná, 1.302 transplantes foram realizados em 2026, enquanto mais de 5,5 mil pessoas ainda aguardam por um transplante.

Desde 2011, quando o Sistema Estadual de Transplantes foi criado, o Paraná aumentou em 300% o número de doações efetivas. Entre janeiro e agosto de 2026, foram 293 doações no Estado, contra 70 no mesmo período de 2011.

Por Paulo Andrade

Comentários