QUINTA, 23/04/2026, 12:25

Gaeco de Londrina realiza operação contra policial civil que recebia propina para evitar a prisão de criminosos em Bandeirantes, no Norte Pioneiro

De acordo com as investigações, o agente também facilitava a entrada de celulares na prisão. Ele foi afastado das funções e teve a arma que usava no trabalho apreendida

O Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina realizou uma operação nesta quinta-feira (23) contra um policial civil acusado de cobrar propina para “facilitar” a vida de presos em Bandeirantes, no Norte pioneiro do estado. As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão na delegacia onde o agente trabalhava e na casa dele, em Cambará. Foram apreendidos computadores, celulares, documentos e dinheiro em espécie.

As investigações que deram base à operação, denominada Fim da Trilha, foram realizadas pelo promotor José Paulo Montesino. Ele explicou que os trabalhos tiveram início a partir da realização de outras operações contra criminosos, muitos deles faccionados, que atuavam no tráfico de drogas em Bandeirantes.

Foram encontradas conversas entre advogados desses criminosos e o policial civil investigado sobre o pagamento de valores para que ele facilitasse a entrada de celulares e outros materiais na carceragem de Bandeirantes. O agente também teria atuado para evitar a lavratura de prisões em flagrante.

O policial atuava na delegacia há mais de dez anos. Ainda não é possível dizer o quanto ele recebeu de propina, tampouco quantos presos foram beneficiados pelo esquema.

São investigados possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e fraude processual. O policial civil não foi preso, mas a Justiça determinou a aplicação de diversas medidas cautelares, impondo o afastamento imediato do agente das funções, o recolhimento de seu armamento e a monitoração eletrônica, bem como a proibição dele de acessar qualquer unidade policial do estado e de manter contato com os demais investigados e testemunhas.

Por enquanto, não foram encontrados indícios do envolvimento de outros agentes públicos no esquema.

A operação do Gaeco foi realizada com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Paraná.

Por Guilherme Batista

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