QUINTA, 21/09/2017, 19:32

Secretaria de Saúde de Cambé começa a fazer exames de tuberculose em presos da delegacia

A denúncia de um possível surto da doença partiu do Sindicato dos Policiais Civis.

A Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica de Cambé começou a coleta de amostras dos presos da cadeia de Cambé. Do total de detentos, quarenta apresentaram o principal sintoma da tuberculose, a tosse. A enfermeira responsável Lucelia Sakata não quis gravar entrevista, mas informou que as amostras vão ser colhidas até a semana que vem. Os exames estão sendo enviados para o laboratório, que pode levar até uma semana para divulgar o resultado. Segundo a enfermeira, o preso que teve a doença diagnosticada na Santa Casa de Cambé e já foi transferido para o Complexo Médico Penal - hospital referência em todo o Estado no tratamento da doença - e recebe atendimento.

Essa medida foi tomada depois de uma denúncia feita pelo Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região, que fez uma vistoria na delegacia. Segundo o presidente do Sindipol, Michel Franco, a cadeia que tem vaga para 52 presos, está com 189, sendo que 107 dele já estão condenados. Ou seja, pela lei, já deveriam estar no sistema prisional e não nas delegacias. Além da superlotação, ele reclama de um possível surto de tuberculose.

Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que assim como a direção da Polícia Civil e do Departamento de Execução Penal (Depen), está ciente do problema de superlotação nas carceragens das delegacias do Estado. Mas, disse que é importante salientar que já houve avanços: no início de 2011 a Polícia Civil gerenciava em torno de 14 mil presos e hoje o número é de aproximadamente 9.500.

 Ainda de acordo com a nota, a cúpula da segurança pública tem trabalhado para reduzir o número de presos em delegacias. Semanalmente, o Comitê de Transferência de Presos (Cotransp), que conta com representantes do Poder Judiciário e do Ministério Público, autoriza a transferência de presos de delegacias para o sistema prisional.  No entanto, as vagas só são abertas com a saída de detentos e, para isso, é preciso autorização do Poder Judiciário. 

A solução para o caso de superlotação são as 14 obras de construção e ampliação de unidades prisionais do Estado. Serão abertas, de acordo com o governo, cerca de sete mil novas vagas com essas novas unidades prisionais. Além disso, é uma alternativa a adoção das tornozeleiras eletrônicas para aqueles presos que cometeram crimes de menor potencial ofensivo e que passam a ser monitorados a partir do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária.

Por Claudia Lima

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