Retrospectiva 2022: Quando pensamos em o que é uma cidade, várias notícias, imagens e reflexões aparecem em nossa mente
O ano foi marcado por obras em ritmo lento, buracos abertos nas ruas, primeiro ano sem pedágio e entrega de novos espaços públicos, além do conflito na Rua Paranaguá. Hoje você acompanha na CBN Londrina a retrospectiva da cidade.
Não é tarefa fácil para o poder público administrar os conflitos de uma cidade do tamanho de Londrina, com quase 600 mil habitantes. Neste ano entre as ‘pedras’ no caminho, buracos nas ruas, obras atrasadas, mas também melhorias após transtornos de décadas sem solução.
O ano de 2022 começou com um presente para os moradores do centro histórico de Londrina. A reforma do Bosque Central agradou londrinenses, mas segue com problemas antigos, como a insegurança e o mau cheiro dos pombos. A revitalização do Bosque Central, orçada em R$ 2,8 milhões, foi realizada de acordo com projeto Ippul e inaugurada em janeiro.
Depois de dois anos de pandemia e restrições de circulação os espaços de lazer nunca foram tão frequentados pelo londrinenses, é o caso do Lago Igapó e suas áreas verdes. Considerado o principal cartão postal da cidade, o Igapó ocupa uma área de 4.500 metros que cruza a cidade de oeste a sul. O espaço público passa por uma revitalização ampla no entorno do aterro. Porém a obra não contempla o desassoreamento do córrego. Por isso em outubro, com a forte chuva o lago encharcou e água e a lama invadiram casas na Rua Joaquim de Matos Barreto, causando transtorno aos moradores. A revitalização do aterro vai custar R$ 1,2 milhão, construção de novas calçadas, ciclovias e a renovação de todo mobiliário urbano e novas floreiras.
Já em março deste ano surgiu uma notícia que pode trazer esperança. Projeto para desassorear o Igapó foi aprovado pelo Programa Águas Brasileiras. Agora Prefeitura de Londrina está apta a captar R$ 87 milhões para realizar o trabalhado para remover sedimentos e prevenir a poluição dos lagos. A ideia é evitar métodos mais agressivos como o de esvaziar o lago para remover os sedimentos, explicou Denise Ziober, arquiteta e urbanista umas das idealizadoras do projeto.
Ainda falando de áreas de lazer, no aniversário de Londrina, no último dia 10 de dezembro, o prefeito Marcelo Belinati, anunciou que o Parque Arthur Thomas terá investimento de R$ 5 milhões em reforma. Local foi escolhido para receber emenda parlamentar e obra deverá ser entregue no aniversário de Londrina de 90 anos até dezembro de 2024. O secretario de ambiente, Ronaldo Siena, disse que o Parque foi reaberto em janeiro deste e tem recebido muitos visitantes, mas a ideia é tornar o espaço uma referência para a cidade.
Outros assuntos que dominaram o noticiário local foram obras do governo e do município que tem grande impacto no trânsito e no dia a dia da população da região de Londrina. Intervenções realizadas pela Sanepar provocaram várias alterações no trânsito, entre os pontos foi na Avenida Ayrton Senna, zona sul de Londrina no primeiro semestre. A Sanepar de saneamento rompeu em novembro o contrato com terceirizada responsável por tapar buracos abertos pela companhia em Londrina. Outra empresa foi contratada de forma emergencial para a realização do serviço, que chegou a se acumular problemas com buracos abertos na cidade;
Já a maior obra pública em execução na cidade é a trincheira da Leste Oeste com Rio Branco e também. Iniciada em janeiro de 2021, a obra orçada em R$ 25 milhões, deveria ser entregue em janeiro de 2023, mas nem metade ainda foi executado, por isso, com o ritmo da obra a previsão pode ser para 2025, revelaram medições da prefeitura. Sob a anuência do poder público, os custos para a execução dos trabalhos subiram de R$ 25 milhões para R$ 32 milhões. O secretário de gestão, Fabio Cavazotti, pediu agilidade e prevê penalidades à empresa. O objetivo da obra é melhorar a segurança e a mobilidade em um dos locais de maior gargalo do trânsito, a obra contempla a implantação de ciclovia, instalação de luminárias LED, e pavimentação reforçada. Mas enquanto não fica pronta, os comerciantes, moradores e motoristas convivem com transtorno diários, falta de sinalização e as notícias são de mais custos e mais prazo de entrega.
Além do trânsito dentro de Londrina, no entorno, os motoristas conviveram o primeiro ano sem pedágio no Paraná. DER anuncia licitação de R$ 94 milhões para reformar 30 rodovias que passam por 50 cidades do norte do estado. Iniciativa foi necessária para manter a conservação das estradas desde o fim dos contratos de pedágio. As próximas concessões devem sair apenas no final do ano que vem. , mas Câmara Municipal realizou audiência pública para discutir projeto que institui novo traçado para o Contorno Norte em Londrina. Mudança é necessária para que DER lance a licitação para a execução da obra, que, apesar de constar no antigo contrato de pedágio, não foi executada pela concessionária responsável.
Além do pedágio, outra reivindicação tem sido sobre a duplicação da PR-445 entre Londrina e Mauá da Serra. Depois de vários atrasos, DER anuncia início da obra de duplicação de novo trecho entre e Lerroville e Mauá só no mês de agosto. Obras foram autorizadas de forma parcial pelo Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico que trabalha para preservar sítios arqueológicos encontrados na região. O trecho a ser duplicado terá pouco mais de 27 quilômetros deverá custar R$ 148 milhões, incluindo a restauração da pista já existente da 445. Entretanto, a obra não contempla um viaduto na entrada de Lerroville, o que desagrada moradores do distrito rural de Londrina.
Em 2022, a boa notícia foi a entrega do viaduto da Bratislava, que melhorou o tráfego na BR-369 em direção a Maringá no trecho urbano de Cambé. A intervenção viária, custou R$ 13,5 milhões aos cofres públicos e foi parcialmente inaugurada em abril em meio em período pré-eleitoral. Depois dessa entrega, o DER informou que foi escolhida empresa para a construção do viaduto da PUC, em Londrina. As obras vão custar R$ 28 milhões. Atualmente o cruzamento é operado por semáforos, gerando engarrafamentos, principalmente nos horários de pico. Outro cruzamento que ganhou nova rotatória esse ano foi a Santos Dumont que foi executada por empresa de Maringá e custou R$ 224 mil.
Além do trânsito, o transporte público foi notícia. A Reforma do Terminal Central com investimento previsto de R$ 4,3 milhões e inclui troca de elevador e escadas rolantes. Também neste ano, a Prefeitura iniciou a obra de dois terminais, Ouro Verde na Zona Norte e Acapulco na Zona Sul.
Apesar de muitas obras em andamento, 2022 está chegando ao fim sem entrega de obras que se tornaram uma verdadeira ‘novela’: Nova sede do SAMU, Cidade Industrial e reforma do Moringão.
Em janeiro noticiamos que a empresa MTX Construções pediu mais prazo para entregar a sede do serviço de emergência e a promessa era entregar em março, mas na prática o que vimos foi muita burocracia. Obra está atrasada a mais de um ano e meio e com os aditivos financeiros, a terceirizada deve receber, até o final dos trabalhos, R$ 5,2 milhões. Depois de pronto, o prédio vai contar com amplo espaço para o estacionamento das viaturas, heliponto, local para desinfecção dos equipamentos, além de diversas salas para a regulação dos casos e outros setores. No caso do Moringão no início do ano, a promessa da Prefeitura era de que em junho a obra estaria finalizada.
O ano de 2022 também foi de retomada da obra da Cidade Industrial, um projeto que também contou com problemas com a primeira empresa vencedora da obra. Prefeitura lança nova licitação da Cidade Industrial e tenta retomar obra parada há um ano. Propostas podem ser encaminhadas até 7 de novembro e valor máximo é de pouco menos de R$ 42 milhões para a execução dos serviços.
Mais a maior polêmica do ano, sem dúvida, na cidade, foi a Rua Paranguá, repleta de bares que atraem o público jovem, o barulho tem sido um transtorno para moradores e aumentaram os chamados da Polícia Militar e Guarda Municipal. Várias reuniões públicas debateram o tema, operações conjuntas fecharam o cerco contra proprietários com problemas de alvarás. Mas mesmo assim, o local foi escolhido para ser o ponto de encontro de torcedores na Copa do Mundo, provocando uma ação policial que dividiu opiniões.
Após eliminação da Copa do Mundo e a polarização política, o clima natalino parecer ter unido a cidade. As luzes de Natal espalhadas em Londrina e o alto investimento de mais de RS 5 milhões pela prefeitura na Arvore com a passarela do Lago e outras atrações deixaram a cidade bonita e alegre.
A visitação sobre a passarela de cerca de 200 metros de extensão, que permite a travessia de um lado ao outro do lago contou com mais 100 mil visitantes percorreram o caminho entre os pórticos flutuantes de 2022 e 2023 e viram a as luzes da árvore de 32 metros de altura. Uma travessia que traz esperança para um ano melhor para toda a cidade.