Londrina tem quase cem casos de servidores da saúde que se recusaram a tomar a vacina contra o coronavírus; dois deles morreram
Poder público afirma que não pode obrigar funcionários a receberem as doses. Médico especialista alerta que a imunização é a única maneira de se proteger da doença.
Pelo menos 93 servidores da área da saúde se recusaram a tomar a vacina contra o coronavírus em Londrina: são 40 do Hospital da Zona Norte; 31 do Hospital da Zona Sul; 20 do Hospital Universitário; e dois da rede municipal. O levantamento foi feito pela CBN nesta sexta-feira (30), depois de vir à tona a informação de que dois funcionários do HZS morreram vítimas da Covid-19 nos últimos dias. No domingo (25), um homem de apenas 34 anos que trabalhava como auxiliar administrativo na unidade faleceu por complicações da doença. Em um primeiro momento, ele recusou a imunização, mas voltou atrás e tomou a primeira dose da vacina. A atitude, no entanto, não foi suficiente para evitar que o servidor contraísse o vírus. Já na última quinta-feira (22), foi registrada a morte de uma técnica de enfermagem de 54 anos que, assim como o colega, também teria se recusado a tomar a vacina. Os dois trabalhavam no hospital há 11 anos.
A direção do HZS confirmou os casos e disse que tem tentado, desde o início da campanha, conscientizar os funcionários sobre a importância da vacinação. Tanto é que, atualmente, apenas seis servidores seguem com a mesma posição. Os demais mudaram de ideia e aceitaram a imunização.
Já no HZN,o número de recusas continuaria em 40, segundo o diretor do hospital, Reilly Lopes. O gestor comentou sobre as justificativas apresentadas pelos servidores, e disse ainda que eles foram obrigados a assinar um termo de recusa vacinal reconhecendo os riscos trazidos pela escolha.
Lopes lamentou o fato de muitos continuarem com a mesma posição de recusa, ainda mais depois do registro das mortes dos servidores do Hospital da Zona Sul.
Vale lembrar que o poder público não pode obrigar os servidores a receberem as doses. Na última terça-feira (27), foi apresentado um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que prevê uma série de restrições às pessoas que recusarem a imunização. Caso a proposta seja aprovada, elas ficariam proibidas de frequentar espaços de uso coletivo como escolas, creches, universidades e ônibus, e também de participar de concursos públicos. Em entrevista à CBN nesta sexta, o médico sanitarista Gilberto Martin lembrou que a vacinação é a única maneira de se proteger do coronavírus e, consequentemente, colocar um fim nos horrores trazidos pela pandemia.