Após 15 dias sem vacinas, Secretaria de Saúde normaliza estoques de doses contra a poliomielite nas UBS em Londrina
Secretário disse que houve um atraso do envio de novas remessas por parte do Ministério da Saúde no final do mês passado, mas garantiu que ausência pontual não prejudicou nenhuma criança na cidade.
Depois de quase duas semanas, a Secretaria Municipal de Saúde normalizou, nesta quarta-feira (13), os estoques das vacinas contra a poliomielite em todas as unidades básicas do município. A cidade recebeu uma remessa com 1,4 mil doses que, segundo o Núcleo de Comunicação da prefeitura, já foram distribuídas nos postos de saúde. Durante sabatina na Câmara Municipal na terça-feira (12), o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, confirmou o desabastecimento pontual, e disse que isso só ocorreu por conta do atraso no envio de um novo lote de doses ao município pelo Ministério da Saúde. A remessa, segundo ele, era esperada para o final do mês passado.
Por conta disso, faltaram doses contra a poliomielite em praticamente todas as unidades básicas de saúde da cidade. Machado adiantou que os estoques iriam ser normalizados nesta quarta, o que aconteceu, e garantiu que a ausência pontual de vacinas não prejudicou nenhuma criança na cidade.
A vacinação contra a paralisia infantil, que, com a ajuda do Zé Gotinha, erradicou a doença no Brasil em 1990, se torna ainda mais importante em um momento em que a Organização Mundial da Saúde classifica o país como de altíssimo risco para o retorno da patologia. Desde 2016, segundo o próprio Ministério da Saúde, a cobertura vacinal contra a pólio tem resultados abaixo do indicado. No ano passado, por exemplo, apenas 67% das crianças com menos de cinco anos de idade foram vacinadas.
O aposentado Otacílio Pereira Leite tem 58 anos e contraiu a poliomielite quando tinha apenas três anos de idade. Na época, ele morava com a família em uma fazenda em Nova Santa Bárbara, no norte do Paraná.
Por conta da doença, Leite teve o crescimento de uma das pernas comprometido. Ele só foi aprender a andar com 13 anos de idade, depois de improvisar uma forquilha como muleta. Ao longo dos anos, o aposentado trabalhou, se casou e teve dois filhos. Ele tenta, como pode, passar por cima das limitações, mas admite que sua vida poderia ter sido completamente diferente sem a paralisia infantil.
Diante da iminente ameaça do retorno da pólio, Leite fez questão de deixar um recado para os pais que ainda não vacinaram os filhos contra a doença.
Em Londrina e em todo o Paraná, o poder público costuma realizar uma campanha entre setembro e outubro para vacinar as crianças contra poliomielite. As doses também ficam disponíveis nos postos de saúde durante todo o ano.